Brasil tem a maior queda em renda per capita entre emergentes

Em recessão, país é o que mais empobreceu em grupo formado por economias de 24 nações emergentes; dados são do Fundo Monetário Internacional (FMI)

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Líderes dos BRICS: Dilma Rousseff, Vladimir Putin, Manmohan Singh, Xi Jinping, e Jacob Zuma. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

DA REDAÇÃO (com Folha de S.Paulo) – O Brasil é o mais que vem ficando mais pobre dentro de um grupo de 24 nações com economias emergentes. Os dados são do Fundo Monetário Internacional e foram divulgados no domingo (14). Segundo estimativa o órgão, a renda per capita do brasileiro (medida em paridade do poder de compra) recuou de $16,2 mil, em 2014, para $15,7 mil, em 2015, o equivalente a 90% do rendimento médio dos 24 países considerados emergentes pela instituição. Esse é o menor patamar registrado desde o início da série histórica do Fundo, em 1980. A paridade do poder de compra é uma medida usada em comparações internacionais, por refletir melhor o custo de vida dos países.

Mensurado dessa forma, o poder de compra do brasileiro esteve por muitos anos acima da média dos emergentes. Desde meados da década passada —com o forte avanço da renda em nações como China e Índia— a situação do Brasil em relação ao grupo passou a ser de equiparação. Mas, com a forte desaceleração da economia brasileira nos últimos anos, o país tem sido deixado para trás.

O FMI espera que, em 2020, a renda per capita do Brasil (em PPC) atinja $18 mil, o que representará pouco mais de 80% da média dos emergentes ($21,6 mil), se a projeção se confirmar.

Brasil x EUA
Outro parâmetro para medir o retrocesso ou o progresso relativo de países rumo ao desenvolvimento econômico é comparar sua renda per capita com a de nações avançadas, como os Estados Unidos. Nessa comparação, o Brasil também retrocede, informa a Folha de S.Paulo.

O poder de compra do brasileiro chegou a equivaler a quase 40% do americano no início dos anos 1980. Com a crise econômica, recuou bastante na década seguinte, para patamar inferior a 30%. Voltou a se recuperar no fim da década passada, mas essa tendência não se manteve. O FMI espera que a renda per capita do país fique estagnada ao redor de 27% da americana nos próximos anos.

Coreia do Sul e Taiwan são exemplos de países que conseguiram se desenvolver. Com renda per capita equivalente a 65% e 85% da americana, respectivamente, são consideradas nações avançadas pelo FMI. O salto que tiveram nas últimas décadas foi expressivo. Em 1980, esses percentuais eram de 17% e 32%.

Houve avanços
Ainda segundo a reportagem da Folha, o Brasil também registrou avanços positivos nos últimos anos. Apesar da estagnação do país no processo de avanço de sua renda média, outros indicadores de bem-estar da população tiveram grande avanço nas últimas décadas. A desigualdade na distribuição dessa renda diminuiu, o número de pobres recuou, e o acesso à educação e à saúde aumentou. Mas, segundo economistas, o recuo do país em relação a seus pares na evolução de sua renda per capita é um sinal preocupante.

“A renda do Brasil deveria estar se aproximando da de emergentes de alto desempenho. Mas os dados mostram um aumento na diferença entre o poder de compra médio dos cidadãos desses países e os do Brasil”, afirmou ao jornal o economista do banco suíço Credit Suisse Leonardo Fonseca.