Brasileira é denunciada para a Imigração e fica presa por mais de um mês

Patrícia estava com o visto expirado; amigos fazem campanha para que ela possa pagar despesas com fiança e advogado

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Patrícia Marques ficou presa por mais de um mês
Patrícia Marques ficou presa por mais de um mês

A mineira Patrícia chegou aos Estados Unidos em dezembro de 2014 com visto de turista e com o sonho de mudar de vida. Em Belo Horizonte, cidade onde nasceu e onde moram seus dois filhos e sua família, Patrícia era manicure e o que ganhava não era suficiente para pagar as contas. Por meio de um amigo, ela conheceu o atual marido que a incentivou a vir para Framingham (MA). Seu visto expirou em junho do ano passado e ela resolveu ficar nos EUA de forma ilegal e trabalhando como manicure e com a limpeza de casas. “Eu levava uma vida normal, como todo imigrante que chega aqui. Cheia de sonhos e expectativas. Comecei a trabalhar e a enviar dinheiro para os meus filhos de quatro e sete anos que vivem no Brasil”, disse.

Na manhã do dia 10 de janeiro passado, a vida de Patrícia virou um verdadeiro pesadelo depois que agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) bateram à sua porta às 6:40 da manhã, alegando que estavam procurando outra pessoa. “Quando abri a porta, eles já estavam com todas as minhas informações nas mãos. Alguém me denunciou e eu não faço ideia de quem seja”, relatou Patrícia ao AcheiUSA.

Durante a audiência no tribunal, o juiz detalhou que ela foi detida por causa de uma denúncia de que havia ultrapassado o período de permanência do visto de turista, expirado em junho de 2015. Patrícia ficou presa um mês e quatro dias na Penitenciária de Dartmouth, New Bedford, no Condado de Bristol. Ela foi solta no dia 13 de fevereiro depois de pagar uma fiança de $6 mil determinada por um juiz de imigração. Patrícia vai responder ao processo em liberdade e terá que comparecer novamente à Corte daqui a seis meses.

“Eu já tinha um quadro depressivo desde o Brasil e o quadro se agravou na prisão. Fiquei muito mal. Lá dentro fui bem tratada, tinha comida e toda assistência, mas é uma prisão. Eu rezo para esta pessoa que me denunciou, porque é uma maldade tão grande que não tenho nem palavras”.

Patrícia afirma que tem vontade de voltar para o Brasil, mas pensa que aqui ela terá mais oportunidade. “No Brasil não tenho perspectiva de melhorar a vida dos meus filhos. Meu sonho é conseguir trazê-los para cá de forma legal”.

Ajuda

Para pagar os $6 mil da fiança que Patrícia tomou emprestado, ela precisa de ajuda financeira porque também tem que arcar com os custos da sua advogada de imigração que defenda o caso. Quem puder ajudar, o site é o https://www.gofundme.com/help-by-making-a-donation.

O que fazer se o ICE bater na sua porta?

O caso de Patrícia ilustra bem uma situação que é muito temida por quem vive sem documentos nos Estados Unidos: a batida do ICE. De acordo com o advogado Ludo Gardini, o melhor a fazer é não abrir a porta e solicitar que o agente passe o documento por debaixo da porta. “Se ele tiver um mandado de prisão ou busca e apreensão a situação é mais complicada. Mesmo assim, a pessoa deve ler primeiro o documento e já acionar um advogado antes de abrir”, recomenda.

Gardini afirma que é muito importante que o imigrante indocumentado tenha uma pastinha com um dinheiro separado para o advogado, cópia do passaporte de documentos importantes para situações de emergência.