Brasileiro denuncia golpe da contratação para trabalho nos EUA

Economista de São Paulo relata golpe que prometia salário de $6500 por mês e visto de trabalho em cinco dias

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Rodrigo Silveira denuncia o golpe do visto de trabalho
Rodrigo Silveira denuncia o golpe do visto de trabalho

Colaboração de Joselina Reis

A oferta parecia espetacular. Trabalhar nos Estados Unidos, legalmente, com salário de $6500 por mês, mais uma série de benefícios de dar inveja a qualquer trabalhador americano e ajuda de custos para acomodação, educação e muito, muito mais.  Quando o economista brasileiro Rodrigo Oliveira recebeu a oferta ficou animado. “A gente não vê isso todo dia! Achei que era a minha chance’’, completa.

O contato havia sido feito por um homem chamado Agustin Alvis, diretor de Recursos Humanos da empresa de construção civil Juneau Construction Company, com sede em Atlanta (GA) e filial em Miami (FL). Agustin enviou um contrato de trabalho detalhado, enumerando diversos benefícios em se trabalhar para a empresa e a lista de responsabilidades do novo empregado.

O website da companhia não deixava dúvidas, uma empresa grande, próspera, verdadeira, com centenas de funcionários e devidamente registrada. “Não perdi tempo, mandei cópia de todos os documentos que ele pediu, passaporte com visto de turista, curriculum, documentos da faculdade comprovando que sou formando em economia e muito mais’’, relata o brasileiro que mal sabia que estava sendo enganado.

“Ele solicitou que eu começasse a trabalhar logo e confirmei que poderia iniciar em 45 dias, isso é antes do Natal deste ano, o que ele concordou’’, lembra o economista. Entre o contato com Rodrigo e o envio do contrato não demorou mais do que duas semanas.

Assim que foi aprovado, sem nunca ter feito nenhuma entrevista, Rodrigo deveria dar o próximo passo ao tão sonhado emprego nos Estados Unidos, os trâmites legais para a obtenção do visto de trabalho (Work Permit). O economista recebeu um e-mail do agente Larry Ken, gerente da Ambassador Visa Services, na California, que faria todo o serviço de visto para ele.

Os custos eram razoáveis $980 dólares para a obtenção do visto H1B com validade de um ano, $1150 dólares para o mesmo visto com validade de dois anos, e $1750 para 4 anos de visto de trabalho para os EUA. O documento ficaria pronto entre cinco a 10 dias.  Devido a “urgência da viagem’’, Rodrigo deveria fazer o pagamento em dinheiro pela Western Union ou Money Gram para Carlos Davidson, morador em Greenville, na Carolina do Sul.  Outra possibilidade seria o pagamento via depósito bancário para uma conta no banco PNC em nome da empresa Wakobi Inc na Georgia.

Desconfiança

Tão logo o economista desconfiou e começou a pesquisar entre os amigos sobre o processo de contratação internacional. “A partir daí fiquei desconfiado. Mas o golpe final veio através da ajuda de uma amiga que mora na Flórida. Ela ligou para a empresa JCC em Atlanta e confirmou tudo. Era tudo mentira!’’, desabafa o economista que planejava começar uma vida nova na América. “Isso mexe com o emocional de qualquer pessoa. Malandragem!’’, disse muito angustiado com o ocorrido.

Além disso, o tal agente de imigração, Larry Ken, usava a logo de uma empresa verdadeira de imigração na Nova Zelândia, e o endereço de outra empresa Ambassador Passport and Visa Services, também legítima, na Califórnia.

Rodrigo lembra que vários detalhes do “processo de contratação com a JCC’’ pareciam surreais. O falso diretor entrou em contato com Rodrigo pelo Linkedin, sem Rodrigo nunca ter manifestado interesse em uma vaga da companhia. O diretor também escrevia e-mails em inglês com diversos erros gramaticais e não se incomodou com a possibilidade de que Rodrigo não falasse inglês. “Você pode falar a sua língua de preferência. Temos tradutores no ‘campo de obra’ ’’, disse o suposto diretor em um dos e-mails.

“Agora que sei de tudo, só tenho a agradecer as pessoas que me ajudaram a não cair neste golpe. Imaginei a possibilidade de ter meu passaporte apreendido quando chegar no ‘campo de obra’ e ficar refém destes impostores’’, lamentou o economista que apesar de ter um contrato como “Finance Administrator’’, teria como local de trabalho um ‘campo de obras’.

A empresa de construção civil Juneau Construction Company foi contatada por telefone no dia sete de novembro e confirmou o golpe. “Isso vem acontecendo com muita frequência e não sabemos como parar. Já procuramos a polícia e eles nada podem fazer. Essa pessoa está usando nosso nome para aplicar golpes! ’’, reclamou uma representante da empresa.

Segundo ela, a maioria dos que caem no golpe são brasileiros. “Não sabemos quem é Agustin Alvis. Ele não trabalha para nós. Não é afiliado a nossa empresa. Não nos representa. Não o conhecemos. Sentimos muito por quem caiu neste golpe. Não existe contratação por parte da nossa empresa de funcionários estrangeiros’’, afirmou categórica.

“Por favor divulgue isso junto à comunidade brasileira. Já tentamos nos aproximar, mas não falamos a língua deles e muitos não falam a nossa’’, disse uma das atendentes por telefone que não quis ter o nome divulgado, apesar de confirmar sua identidade para a reportagem do AcheiUSA.

A gerente da empresa de Ambassador Passport and Visa Services, Ladan Kalili, ficou surpresa com o uso do nome e endereço de sua empresa no esquema. “Essa pessoa não trabalha conosco. Não fazemos intermediação para visto H1B. Não trazemos estrangeiros para os EUA. Vamos buscar apoio jurídico’’, afirmou a diretora que recebeu uma cópia dos e-mails enviados pelo suposto funcionário Larry Ken. “Estou horrorizada!’’, disse a gerente muita abalada.

Rodrigo Silveira afirmou que vai comunicar o caso à polícia brasileira e ao consulado americano. “Foi muita ingenuidade. Eu só queria uma oportunidade de mudar de vida. Agora só Deus sabe o que esse bandido vai fazer com todos os meus dados pessoais’’, lamentou. ν