Brasileiro ganha Grammy Latino por melhor masterização de disco

Felipe Tichauer é um dos mais respeitados e disputados engenheiros de som da atualidade, expert em masterização

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O engenheiro de som Felipe Tichauer
O engenheiro de som Felipe Tichauer

O engenheiro de som brasileiro Felipe Tichauer levou para casa na noite de ontem (17), em Las Vegas, o Grammy Latino de melhor masterização do disco da cantora Céu. A cantora levou o prêmio de melhor álbum de pop contemporâneo em língua portuguesa.

“Ao acordar hoje continuo tentando absorver o que aconteceu ontem. O sentimento mais forte agora é meu dever pessoal de passar adiante essa bênção. Ser reconhecido pelos seus colegas é uma verdadeira honra e estou muito agradecido por isso. Fazer parte desses discos fantásticos ao lado de grandes amigos faz tudo muito mais especial. Obrigado a todos. A maior recompensa é a amizade. Obrigado, obrigado”, disse Tichauer em uma postagem em seu Instagram.

Felipe é dono da Redtraxxmusic.com, empresa de engenharia de áudio para masterização e mixagem em Miami.

Carreira de sucesso

Um dos mais respeitados e disputados engenheiros de som da atualidade, expert em masterização, Felipe Tichauer nasceu em São Paulo, onde passou a infância e parte da adolescência. Durante este tempo viveu no Campo Belo, bairro ao lado do aeroporto de Congonhas e estudou, durante 11 anos, no Colégio Porto Seguro, no Morumbi.

Desde cedo mostrou interesse pela música. Frequentava estúdios para ver como nasciam as canções, como elas eram transformadas em discos.

Aos 17 anos veio para os Estados Unidos, mais precisamente para Orlando, na Flórida, onde ingressou na Full Sail University. Em 1998 formou-se engenheiro de som e foi contratado pelo canal Discovery Channel, em Miami, para fazer a engenharia de som do programa “People En Arts”.

Após 18 meses na TV, teve uma oportunidade de ouro: trabalhar como estagiário nos estúdios de um dos mais importantes produtores discográficos do mundo: Rudy Perez. Em apenas um mês, tornou-se assistente de gravação e após três meses já era o engenheiro de vozes do estúdio. Um de seus primeiros trabalhos foi desafiador: gravar Christina Aguilera em espanhol. Era 2000. Ela estava no auge com o sucesso do álbum “Genie In A Botlle”. Em meio a uma exaustiva tour de shows pelos Estados Unidos, Christina reservava todo tempo que tinha, entre as apresentações musicais, para realizar seu projeto: o álbum “Mi Reflejo”. Foi um período de um ano e meio que acabou resultando no primeiro Latin Grammy de Felipe.

Após três anos atuando como engenheiro de som ao lado de Rudy Perez, Felipe passou a trabalhar como free lancer, gravando, mixando mais de 70 discos. Entre alguns dos artistas com os quais trabalhou neste período estão Julio Iglesias, Michael Bolton, Westlife, Jacy Velasquez e Luis Fonsi.

Em 2003 mudou-se para Los Angeles para trabalhar ao lado de Michael Beinhorn, produtor de artistas como Red Hot Chili Pepers, Herbie Hancock e Soundgarden.

Fluente em inglês, alemão, português e espanhol, um ano depois voltou a Miami e abriu seu próprio estúdio, o Red Traxx Mastering. Já respeitadíssimo em sua área, a masterização, tornou-se um dos mais procurados profissionais por artistas americanos, europeus, latinos e brasileiros como Rod Stewart, Timbaland, Mew, Ricky Martin, J Balvin, Don Omar, Daddy Yankee, Aline Barros, Ricardo Arjona, Paulina Rubio, Wisin & Yandel, Maria Bethania, Marcelo Camelo, Mallu Magalhães, Banda do Mar, Olga Tañon, Alexandre Pires, Antonio Adolfo, Arnaldo Antunes etc.

A masterização feita por ele no disco de Elza Soares em 2015 trouxe uma modernidade sofisticada à artista. Foi uma volta triunfal da cantora e fez repercutir em toda a mídia brasileira o talento da grande artista que estava um pouco afastada das atividades musicais. Outra masterização que se destacou em 2015 foi a realizada em “Mellow yellow”, gravada por Michel Teló e produzida por Cesar Lemos para o filme de animação dos Minions. (com Tom Gomes, portalsucesso.com.br).