Brasileiro relata ‘pesadelo’ ao ser mandado de volta para o Brasil pela Imigração

Matheus tinha planos de voltar a morar em Deerfield Beach, mas foi deportado do aeroporto de Newark

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Matheus (sobrenome omitido a pedido do entrevistado) viajou para os Estados Unidos no dia 5 de agosto com vários sonhos na bagagem que foram interrompidos por ele estar violando uma lei federal americana. Com visto de turista, o jovem de 26 anos veio para os EUA com intenção de trabalhar e tentar a vida na América. A legislação é clara: o visto de turista só pode ser usado para fins de turismo, não pode ser usado para trabalhar, nem para estudar.

A história de Matheus começou em janeiro quando ele, com visto de turista, veio para Deerfield Beach. Começou a trabalhar num restaurante e como pintor, alugou um apartamento, tirou carteira de motorista e decidiiu voltar para o Brasil quando o visto de turista estava prestes a expirar. Ele chegou a São Paulo em 18 de junho e decidiu retornar com um amigo no dia 5 de agosto. “Pensei, vou unir o útil ao agradável. Vou ao Brasil antes de o meu visto vencer, aproveito para ver minha família e amigos e depois volto. Várias pessoas me disseram que não haveria problemas em fazer isso, mas comigo não deu certo”, disse.

No Aeroporto de Newark (NJ), onde fez escala, Matheus conta que já estava tenso na fila da Imigração. “Estava junto com meu amigo que passou tranquilamente, mas eu estava tenso”, disse. Ele contou que o agente de imigração fez várias perguntas, queria saber quanto tempo ia ficar nos EUA e porque voltou em tão pouco tempo. Para continuar o interrogatório ele foi levado para a salinha.

“Fiquei esperando e um oficial me chamou e fez várias perguntas. Quanto tempo eu ia ficar, falei que ia ficar 12 dias, comprei ida e volta. Ele começou a perguntar, qual a última vez que eu tinha ido, entre outras perguntas. Ele queria saber como eu me mantive esse tempo todo e eu disse que minha mãe mandava dinheiro. Ele falou, você está mentindo, volta lá, senta e pensa melhor”, relatou. “Depois disso, vi que eles prenderam uma outra pessoa que estava insistindo em mentir e decidi falar a verdade”, completou.

Matheus contou ao agente que tinha trabalhado no período em que ficou em Deerfield para se manter. O agente pediu para ver a carteira do jovem, revirou a carteira, viu a driver license, cartão com dados bancários, entre outros indícios de que ele estava trabalhando, segundo ele. “Aí ele abriu a galeria de fotos do meu celular e viu várias imagens em que eu estava trabalhando. Daí ele só falou que eu estava infringindo uma lei federal, que não teria direito a advogado e que seria mandado de volta ao Brasil no primeiro voo”. Ele teve o visto cancelado e poderá tentar outro somente depois de cinco anos.

Ele foi levado para um centro de detenção da imigração onde ficou por mais de 12 horas até ser colocado no avião por dois policiais num voo de volta para o Brasil. “Foi um pesadelo. Fui tratado como um bandido, foi uma experiência que não desejo para ninguém”.

Visto não é sinônimo de legalidade

A advogada de imigração Renata Castro Alves explica que as pessoas precisam entender que o fato de o visto de turista dar um prazo de até seis meses isso não quer dizer que ele esteja legal e que possa trabalhar.

“Eu tenho percebido que, como nos últimos três a cinco anos os vistos para brasileiros são aprovados, na maioria dos casos, eles se esqueceram do que acontecia há dez anos, quando era muito mais complicado conseguir um visto. Você só está legal aqui nos EUA quando você está agindo de acordo com o que está previsto no seu visto. Visto de turista é para turismo, visto de trabalho é para trabalho e por aí vai”, explica a especialista.

Renata Castro explica que o aeroporto é considerado fronteira, o que quer dizer que o oficial de imigração tem direito de dar qualquer tipo de busca em malas, carteiras, celulares, em qualquer lugar, em nome da soberania nacional. “O visto não te dá direito de entrar, quem decide sua entrada é o agente de imigração que pode cancelar esse visto a qualquer momento. Hoje em dia é muito fácil rastrear as pessoas, a tecnologia é muito mais integrada. As pessoas postam tudo no Facebook. Todo cuidado é pouco”, alerta.