Brasileiros que vivem nos EUA relatam como estão lidando com a pandemia do coronavírus

Mães, prestadores de serviços e trabalhadores autônomos relatam como a pandemia do coronavírus está impactando suas vidas

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Grávida do terceiro filho, Bianca só espera que tudo passe logo (Foto Facebook)

Não está nada fácil. De uma forma inesperada, o coronavírus mudou a vida das pessoas que vivem nos Estados Unidos nas últimas duas semanas. A princípio, a doença parecia estar chegando devagar e as pessoas estavam levando suas vidas normalmente: trabalhando, levando os filhos para a escola e acompanhando as notícias sem pensar que seriam atingidas de forma tão direta.

Números de quinta-feira (26) mostram que mais de mil pessoas já morreram vítimas da COVID-19 nos Estados Unidos. Médicos, autoridades de saúde e governantes pedem para as pessoas ficarem em suas casas, ordenam que o comércio feche e que escolas parem, a quarentena é necessária para evitar a propagação do vírus. E como fica a vida neste período? Como vão pagar as contas? As respostas variam e os entrevistados concordam em um ponto: que tudo isso passe logo.

O AcheiUSA conversou com alguns brasileiros que vivem na Flórida, em New York, Massachusetts, e New Jersey para responder a essas e outras questões. A cabeleireira Fernanda Carter mora em New York, cidade que concentra mais de 60% dos casos da COVID-19 nos EUA.

“Eu trabalho em um salão de beleza e hoje faz uma semana que tivemos que fechar. Meu marido continua trabalhando na construção. Fico com minha filha em casa de quarentena e meu marido é único a sair. Graças a Deus não nos falta nada e creio que dá para arcar com as despesas por um tempo, mas esperamos que isso tudo passe logo”, disse.

“Minhas casas (casas que presta serviços de limpeza), a maioria cancelando e minoria pagando. Graças a Deus algumas almas boas que estão fazendo home office estão pagando, mas até quando isso? Um mês, dois meses, três meses? Duvido que vão ficar esse tempo todo pagando sem ter limpeza, nem quero, não aguento mais ficar em casa”, disse Kelly Camargo, que trabalha com limpeza de casas.

Angela Lessa trabalha como doula na área de New York – profissional que auxilia gestantes antes, durante e após o parto – e está impedida de trabalhar. Ela afirma que as clientes estão sendo compreensivas e não pediram o dinheiro de volta. “Estou oferecendo o serviço online o que acho ainda muito estranho, mas tenho que me adaptar. Continuo fazendo atendimentos de ajuda com a amamentação perto da minha casa com toda a proteção, mas parei de ir a NY”, diz. Ela afirma estar sobrecarregada com o cuidado com os filhos, e com a casa. “Estou preocupada com orçamento da casa, pois sou autônoma e vivo dentro de um orçamento enxuto. Minhas clientes que ainda pagam por mês pelo serviço de doula antecipadamente ninguém está pagando as parcelas, pois não sabem se poderão usar o serviço. Estou me preparando para colocar minha carreira on hold e fazer alguma outra coisa”.

Mãe de dois filhos e grávida, Bianca Paiva mora em Newark (NJ) e também afirma estar sobrecarregada com todas as tarefas domésticas e com a apreensão de não pode ir às consultas para escutar o coração do bebê. “Por aqui, estou bem sobrecarregada com meu filho de 10 meses e meio e o mais velho de quantro anos. Meu marido continua trabalhando, menos que o normal, mas ainda consegue alguns trabalhos, pois trabalha para ele próprio. Eu estou grávida de 14 semanas e as consultas estão sendo por telefone, o que me deixa aliviada por não ter que ir ao hospital, mas apreensiva por não escutar o coraçãozinho do bebê. Já estou há quase três semanas sem sair de casa. Estou rezando, agradecendo e pedindo a Deus que isso passe logo”.

Marcelo de Moura é limpador de piscina em Pompano Beach e afirma que seu trabalho ainda não foi afetado pela crise do coronavírus. “Graças a Deus meus clientes não cancelaram porque as pessoas estão em casa e precisam das piscinas limpas. Mas minha esposa perdeu todas as casas que limpava e estamos preocupados com essa pandemia. Tomara que passe logo”.