Brasileiros relatam momentos de terror dentro da escola em Parkland (FL)

“Parecia uma cena de filme, com tiros, sangue e corpos no chão”, contou uma das alunas da escola

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Familiares em desespero na porta da escola FOTO John McCall Sunsentinel
Familiares em desespero na porta da escola FOTO John McCall Sunsentinel

Por Ana Paula Franco e Antonio Tozzi

O dia 14 de fevereiro de 2018 nunca mais vai ser esquecido em todo o País. Em uma data em que é celebrado o amor – Valentine’s Day – um jovem de 19 anos com uma AR-15 nas mãos tirou a vida de pelo menos 17 pessoas e deixou outras no hospital lutando para sobreviver.

O atentado aconteceu na Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland (FL), região em que moram centenas de brasileiros e ao Sul da Flórida, onde estima-se que vivam cerca de 300 mil brasileiros. O AcheiUSA ouviu pais e crianças que estudam na escola, que tem 3.028 alunos no total. “Peço orações para os familiares das famílias das vítimas, cujos filhos não voltaram para casa”, disse Michelle Camilo. De acordo com o Consulado-Geral do Brasil em Miami não há brasileiros entre as vítimas. A Marjory Stoneman Douglas suspendeu as aulas pelo resto da semana, e já ofereceu o suporte de psicólogos aos alunos e famílias.

Veja os depoimentos abaixo:

Depoimento de Patricia Aguirre – mãe de Vinicius, aluno da escola

“Quando soube sobre o tiroteio corri para a escola, mas não pude chegar porque as ruas estavam fechadas pelos policiais por medida de segurança. Consegui me comunicar com meu filho Vinicius e ele me manteve informada e me tranquilizou ao dizer que estava protegido. É uma sensação indescritível, porque você fica impotente e só nos resta rezar para que Deus proteja nossos filhos. Muitas mães choravam de desespero e eu me solidarizo com aquelas que perderam seus filhos neste massacre. Quero também aproveitar a oportunidade para enfatizar que o Centro Comunitário Brasileiro-CCB constituiu um Grupo de Apoio com participação até de uma psicóloga para ajudar no trabalho de conforto às famílias de brasileiros que têm crianças na Marjorie Stoneman Douglas High School e também de outras escolas. O telefone para contato é (954) 860-3451 e o e-mail é meuccb@gmail.com. Contamos com vários voluntários para ajudar a comunidade brasileira.”

Vinicius Aguirre, filho de Patricia que estuda nesta escola

“Quando ouvimos o alarme do Red Code – sistema que indica indício de incêndio na escola -, sabíamos como proceder porque recebemos treinamento para deixarmos as salas de aula sem tumulto. Entretanto, os responsáveis pela escola nos avisaram para ficarmos trancados dentro da sala de aula por causa dos tiros disparados pelo atirador. Eu conheci rapidamente Nikolas Cruz, mas não era amigo dele. Sei que ele foi expulso da escola por ter levado uma arma e ter ameaçado o diretor da escola. Fiquei sabendo também da atitude do professor Aaron Feis que impediu a saída dos alunos para protegê-los, mas infelizmente foi atingido pelos tiros e morreu. Também perdi um dos meus amigos nesta tragédia e espero nunca mais passar por uma situação como esta.”

Roberta Gonçalves – mãe de Gabriel que estuda na escola

“Recebi um telefonema de uma das mães de um grupo de pais brasileiros que têm filhos na Marjorie Stoneman Douglas High School por volta das 2h30 e logo fui em direção à escola. Entretanto, as ruas estavam fechadas pelos policiais e não consegui me aproximar. Só me tranquilizei quando consegui entrar em contato com o Gabriel pelo What’s App e ficamos trocando mensagens. Aí, uma amiga me disse que iria pegar a Giovanna e fiquei mais sossegada. Depois, o pai da Julia também me ligou dizendo para eu ficar tranquila porque ele pegaria o Gabriel e o levaria para casa. Duro foi confortar as crianças que ficaram traumatizadas e diziam que não queriam voltar às escolas. Nos abraçamos e dissemos que os amamos muito e sempre contamos com a proteção de Deus. A igreja Saint Vincent fez até mesmo uma missão em solidariedade às vítimas na quinta-feira (15).”

Michelle Camilo – mãe de Melissa, de 15 anos, que estuda na escola

“Mudamos de North Miami-Beach para Parkland, por ser uma região considerada mais tranquila e com escolas boas. Eu e meu marido estávamos no trabalho, quando soubemos da notícia e ficamos desesperados. Nossa filha Melissa ligou para nós desesperada, dizendo que havia um tiroteio na escola. Ela nos contou que ficou abaixada junto com outros colegas no fundo da sala de aula, que estava com a porta trancada e escutou tiros e o atirador batendo na porta. Ela só saiu da sala, quando homens do SWAT entraram e ordenaram que todos saíssem com as mãos na cabeça e sem olhar para o chão. Ela nos contou que viu corpos e muito sangue no chão, que parecia uma cena de filme. Ela perdeu um amigo e o professor que ela mais gostava, Melissa está muito assustada, mas vai ficar bem. Pedimos orações para as mães que não terão mais seus filhos de volta, para as famílias devastadas por esta tragédia”.