Brasileiros tiram cidadania europeia para poder viver nos Estados Unidos

Portadores de passaportes de Itália e Espanha podem tirar visto E-2 e investir bem menos do que os $500 mil (ou mais) necessários para o visto EB-5

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DA REDAÇÃO (com Estadão) – Pode parecer trabalhoso (e é), mas a vontade de brasileiros em emigrar para os Estados Unidos já faz com que muitos busquem obter cidadania europeia para facilitar o processo. Recente reportagem publicada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” mostra que cresceu o número de brasileiros que vêm viver nos EUA usando, principalmente, passaportes italianos e espanhóis.

O esforço tem razão de ser: os detentores de dupla cidadania têm mais facilidade de se estabelecer em solo americano. O advogado de imigração Eduardo Costa da Silva, da Godke, Silva & Rocha Advogados, explica que os valores de investimento para concessão de vistos de negócios são bem mais baixos para cidadãos da União Europeia.

Silva diz ter clientes que estão tentando agilizar a obtenção da cidadania europeia com a meta de empreender na Flórida. “No caso da cidadania italiana, seria possível fazer todo o processo pelo consulado brasileiro, mas não é algo que eu aconselho. Acho que vale mais a pena passar uma semana em Roma, gastar o dinheiro com a viagem, para ganhar tempo”, disse à reportagem do jornal.

O visto que os clientes de Silva tentam obter é o E-2, dado a cidadãos de países como Itália e Espanha (além de outras nações fora da União Europeia, como Argentina, Bolívia, Colômbia, e até africanas e caribenhas, caso de Congo, Etiópia e Jamaica). Essas nações fazem parte de uma lista elaborada pelo US Department of States. O Brasil está de fora dessa lista. No visto E-2 o valor a ser investido é bem mais baixo do que o pedido a portadores de vistos como EB-5, que é de, no mínimo, $500 mil. Brasileiros podem tirar o visto EB-5, mas não o E-2. Veja em http://1.usa.gov/1Lfffdz uma lista de países cujos cidadãos podem tirar o E-2.

‘Me mudo no ano que vem’
A reportagem cita ainda o caso de dois brasileiros que pretendem trilhar esse caminho e vir morar na Flórida. Os primos Rahman Pesciotta e Flavio Miglorancia decidiram vender todos os negócios no Brasil para capitanear a expansão da Ronaldo Academy, projeto de escola de futebol do empresário Carlos Wizard Martins (fundador da rede de idiomas Wizard) e do ex­jogador Ronaldo Nazário. Pesciotta e Miglorancia ficarão responsáveis por organizar a expansão da franquia na Flórida.

A ideia de ambos é acelerar a obtenção da cidadania italiana. Pesciotta, que está o processo mais adiantado, já se mudou para Miami. “Meu primo tinha uma empresa de automação e vendeu o negócio para os sócios”, explica Miglorancia, que ainda mora em Campinas, mas viaja com frequência à Flórida. Além de lidar com a documentação e os processos necessários para a obtenção da cidadania italiana, Miglorancia terá também de arranjar compradores para as franquias que ainda mantém em Campinas. Apesar dos negócios ainda estarem em funcionamento, o empresário diz que a decisão de mudar é definitiva: “Estou aqui agora, mas me mudo para lá no ano que vem.”