Câmara aprova resolução que condena ataques de Trump a congressistas Democratas

Trump se dirigiu a quatro parlamentares do sexo feminino dizendo que “elas deveriam voltar para seus países”; quatro deputados Republicanos apoiaram a resolução

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As democratas Ayanna Pressley, Ilhan Omar, Rashida Tlaib e Alexandria Ocasio-Cortez (Foto REUTERS - Erin Scott)
As democratas Ayanna Pressley, Ilhan Omar, Rashida Tlaib e Alexandria Ocasio-Cortez em foto de 2019 (Foto REUTERS - Erin Scott)

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (16) uma resolução que condena os comentários considerados racistas do presidente Donald Trump, que disse a quatro congressistas de grupos minoritários para “voltar” aos seus países ancestrais. As quatro são cidadãs americanas.

Por 240 a 187 votos, um grupo Democrata diversificado se uniu para condenar as palavras do presidente como uma afronta a milhões de americanos e descendentes de imigrantes. Do lado Republicano, formado por uma maioria de homens brancos, apenas quatro votaram a favor. O restante defendeu Trump e rejeitou o texto que dizia que “os comentários racistas legitimaram o medo e o ódio de novos americanos e pessoas de cor”.

O esforço do Partido Democrata para condenar formalmente os comentários do presidente transformou-se em uma briga partidária na Câmara, com republicanos tentando, sem sucesso, impedir a presidente e líder da maioria democrata, Nancy Pelosi, de chamar Trump de “racista”.

O presidente voltou a negar que seus tuítes, publicados no fim de semana, fossem racistas. Ao se enfurecer contra a resolução aprovada, chamando-a de “jogo de guerra Democrata”, ele renovou suas críticas às deputadas Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar, Ayanna Pressley e Rashida Tlaib.

O presidente pressionou seus colegas de partido a rejeitarem o texto. “Esses tuítes não eram racistas”, escreveu Trump. “Eu não tenho um osso racista no meu corpo. A chamada votação é um jogo democrata. Os republicanos não devem mostrar ‘fraqueza’ e cair na armadilha deles.”

Em reunião a portas fechadas na Câmara, pela manhã, Nancy Pelosi chamou as quatro deputadas de “nossas irmãs” e disse que os insultos de Trump ecoam os pronunciamentos ofensivos que ele faz todos os dias.

A medida aprovada é simbólica e não tem força de lei, mas envia a mensagem de que Trump passou do limite. Em busca da reeleição em 2020, ele parece decidido a manter viva a tensão racial para entusiasmar sua base eleitoral, de maioria branca, e semear divisões entre os opositores.

Ataques

Três tuítes do presidente geraram toda a polêmica. “É tão interessante ver as democratas ‘progressistas’ do Congresso, que vieram originalmente de países cujos governos são uma catástrofe total e completa, os piores, mais corruptos e ineptos em qualquer lugar do mundo (se é que têm um governo em funcionamento), dizer alto e cruelmente ao povo dos Estados Unidos, a maior e mais poderosa nação da Terra, como nosso governo deve ser administrado”, escreveu.

“Por que elas não voltam e ajudam a consertar os lugares totalmente quebrados e infestados de crime de onde vieram? Então voltem e nos mostrem como deve ser feito. Esses lugares precisam muito de sua ajuda, vocês não podem sair rápido o suficiente. Tenho certeza de que Nancy Pelosi ficaria muito feliz em ajudar com viagens gratuitas”, acrescentou Trump, em um total de três mensagens no Twitter.

Impeachment

Após a votação, o deputado democrata Al Green, do Texas, protocolou, pela terceira vez, um pedido de votação sobre o impeachment do presidente Trump, desta vez por racismo. O primeiro pedido de impeachment contra Trump foi apresentado em julho de 2017 pelo democrata Brad Sherman, que acusava o presidente de obstruir as investigações sobre a interferência russa na eleição presidencial de 2016.  (Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo)