Centro de detenção em que brasileiro passou mal antes de morrer está em más condições e oferece risco aos detentos

Torrance County Detention Facility (TCDF), em New Mexico, onde o brasileiro Kesley Vial, de 23 anos, foi encontrado desacordado no último dia 17 de agosto, apresenta uma série de problemas sanitários

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Torrance County Detention Facility (TCDF), em New Mexico (foto: Flickr)
Torrance County Detention Facility (TCDF), em New Mexico (foto: Flickr)

O centro de detenção Torrance County Detention Facility (TCDF), em New Mexico, onde o brasileiro Kesley Vial, de 23 anos, foi encontrado desacordado no último dia 17 de agosto, apresenta uma série de problemas sanitários, e escassez de funcionários para monitorar os detentos.

A constatação está em um relatório elaborado pela Agência de Inspeção Geral (Office of Inspector General), que pertence ao Department of Homeland Security. O documento é resultado de uma visita surpresa feita por fiscais da agência entre os dias 1º e 3 de fevereiro com o objetivo de conferir se as condições do local estavam de acordo com a legislação do país.

Kesley foi hospitalizado e morreu na quarta-feira (24). Ele estava no local desde abril, quando foi preso tentando entrar ilegalmente nos EUA através da fronteira com o México.

O relatório das autoridades diz que o Torrance County Detention Facility estava “criticamente com falta de pessoal”. Por causa disso, os funcionários que atuam no monitoramento dos detentos precisavam trabalhar vários turnos extras e, ainda assim, não conseguiam cobrir a demanda de vigilância dos detentos.  Um imigrante entrevistado pelos fiscais afirmou que não conseguiria chamar a atenção dos funcionários caso houvesse uma emergência.

Também foram relatados problemas como mofo e vazamentos. De acordo com o texto, os inspetores flagraram um indivíduo enchendo um copo com água para beber em uma área com água não filtrada destinada a encher baldes para limpeza.

A causa oficial da morte do brasileiro ainda não foi confirmada. Ao comunicar o óbito do jovem, o ICE (Immigration and Customs Enforcement) destacou que é “firmemente comprometido com a saúde e o bem-estar” de todos os imigrantes sob sua custódia, e “irá realizar uma investigação abrangente sobre este incidente”. O órgão declarou que todos os detentos têm acesso a cuidados médicos, odontológicos e psicológicos, e o gasto com serviços de saúde para esta população é $315 milhões por ano.

Kesley Vial morava em Camboriú, no litoral de Santa Catarina, e tentava chegar aos EUA para visitar a mãe, que mora em Danburry, em Connecticut.

Amigos e familiares que estão nos EUA criaram uma campanha de financiamento coletivo no site GoFundMe para conseguir dinheiro para o translado do corpo até onde eles moram. “Ele foi preso na travessia do México para os Estados Unidos e perdeu sua vida antes de ter a chance de ao menos poder voltar para o Brasil para poder continuar sua jornada!”, diz o texto da campanha.

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