Chefe do Homeland Security, Kirstjen Nielsen pede demissão do cargo

Afastamento seria pela falta de controle imigratório na fronteira dos EUA com o México; Trump visitou o local na sexta-feira (5)

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Kirstjen Nielsen deixou o governo de Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst/File Photo
Kirstjen Nielsen deixou o governo de Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst/File Photo

A chefe do Homeland Security, Kirstjen Nielsen, de 46 anos, pediu demissão do cargo. Ela ocupou três altos cargos no governo Donald Trump, desde janeiro de 2017, e o pedido de afastamento foi aceito pelo governo.

De acordo com a imprensa local, ela foi forçada a renunciar por causa da frustração do presidente com a situação na fronteira do país com o México.

“A secretária de Segurança Nacional, Kirstjen Nielsen, deixará seu posto, e quero agradecer-lhe por seus serviços”, tuitou Trump, acrescentando que o comissário encarregado da Alfândega e Proteção Fronteiriça, Kevin McAleenan, será o secretário interino.

Fontes próximas a Nielsen afirmaram que ela teria se sentido cada vez mais frustrada em razão das dificuldades para realizar seu trabalho e se queixava da falta de apoio de outras secretarias de governo, além das contínuas interferências de integrantes do gabinete de Trump.

Nas redes sociais, Nielsen agradeceu a Trump por ter feito parte de sua equipe. “Foi uma honra para toda a vida servir com os bravos homens e mulheres do departamento. Eu não poderia estar mais orgulhosa e mais humilde com seu serviço, dedicação e compromisso para manter nosso país a salvo de todas as ameaças e perigos” disse.

Cerca de 100 mil imigrantes foram capturados, na fronteira dos Estados Unido com o México, em março. É o maior número em uma década, segundo autoridades da fronteira dos EUA.

Nielsen ingressou no governo Trump em janeiro de 2017 como assistente do primeiro secretário de Segurança Nacional da administração republicana, John Kelly. Quando Kelly foi para a Casa Branca como chefe de gabinete, em julho daquele ano, Nielsen o acompanhou como sua vice.

Mas em outubro, ela voltou para a secretaria de Segurança Nacional, desta vez como titular.

Nesta função, ela se tornou a face da política anti-imigração de Trump, incluindo a prática amplamente condenada de separar pais e filhos migrantes.

Visita de Trump a fronteira

Em visita à fronteira dos EUA com o México na sexta-feira (5), Trump afirmou que o sistema de imigração dos Estados Unidos “está cheio”, independentemente dos pedidos de asilo que possam ou não ser feitos por aqueles que cruzam a fronteira e entram no território do país.

“O sistema está cheio. Não podemos recebê-los mais, seja com pedidos de asilo ou com o que quer que vocês queiram. Trata-se de imigração ilegal”, afirmou Trump, alegando que cerca de 640 quilômetros de barreiras na fronteira serão completados ainda esse ano. “Não podemos mais receber ninguém. Sinto muito. Tratem de dar meia volta, é assim.”

Segundo Trump, a decisão de seu governo de classificar a situação na fronteira com o México como “uma absoluta emergência”. “Vejo que alguns de nossos maiores oponentes resolveram dizer nos últimos dois dias que se trata realmente de uma emergência, eles não conseguem acreditar no que está acontecendo”, afirmou o presidente. “Pessoas querem entrar para o país e não deveriam estar vindo para cá. Não deveriam.” (Com Reuters, Agência Brasil e G1).