Cientistas descobriram planeta parecido com a Terra em Proxima Centauri, diz revista

Exoplaneta teria massa, volume e distância da sua estrela em condições favoráveis para a vida, segundo reportagem da revista alemã Der Spiegel

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Sistema fica a 4,25 anos-luz da Terra. Constelação do Centauro pode ser vista a olho nu a sudeste do Cruzeiro do Sul. Na foto, Alfa e Beta Centauri

A busca pelos exoplanetas – planetas fora do nosso Sistema Solar – tem esquentado nos últimos anos. Desde que foi lançado em 2009, o telescópio Kepler já revelou centenas de planetas que podem ser considerados “terrestres”, astros com medidas de volume e massa semelhantes às da Terra. Desses, 216 já foram identificados não só como semelhantes à Terra, mas também na “zona habitável” (também conhecida como Zona Goldilocks), uma região a determinada distância da estrela principal do sistema que é mais propícia às condições da vida como a conhecemos.

A descoberta mais recente e surpreendente foi revelada esta semana em um artigo publicado na revista alemã Der Spiegel. A Spiegel diz que os astrônomos descobriram um planeta semelhante à Terra orbitando a estrela Proxima Centauri – simplesmente a estrela mais próxima do nosso Sol, a apenas 4,25 anos-luz de distância de nós.

Há mais de um século que os astrônomos já sabem que Proxima Centauri faz um sistema trinário com as irmãs Alpha Centauri A e B.  A Proxima, uma estrela na categoria anã-vermelha, é das três a mais perto da Terra.

O projeto Kepler já revelou diversos planetas terrestres possíveis de serem habitados. Recentemente, um grupo de cientistas de vários países reduziram o número de exoplanetas habitáveis para 20, mas todos eles a centenas (alguns milhares) de anos-luz da Terra. “O planeta, ainda sem nome, parece ser terrestre e orbita Proxima Centauri a uma distância que permitiria a presença de água líquida na superfície – um requisito importante para surgimento de vida. Jamais os cientistas descobriram uma ‘segunda Terra’ tão perto de nós”, diz o artigo da Der Spielgel.

A descoberta foi feita pelo European Southern Observatory (ESO), através do telescópio do Observatório de La Silla. Coincidentemente, é o mesmo observatório que anunciou a descoberta de Alpha Centauri B em 2012, que na época foi declarado o “exoplaneta mais parecido com a Terra”. Infelizmente, observações subsequentes puseram dúvida quanto à sua existência.

Entretanto, de acordo com a fonte anônima da Der Spielgel – que alega relações com o grupo de astrônomos que fez a descoberta -, esta última descoberta é verdadeira, e resultado de trabalho intenso. “Procurar por corpos celestes pequenos dá muito trabalho”, diz a fonte da Der Spiegel. “Estamos atuando no limite das nossas técnicas de medição.”

O artigo da Spiegel prossegue dizendo que o anúncio oficial da descoberta será feito no final de agosto. Mas, de acordo com algumas fontes, o porta-voz do ESO, Richard Cook, não confirmou e nem negou a descoberta, em resposta a uma requisição de comentário feita pela AFP. “Não faremos nenhum comentário”, teria respondido ele à agência francesa.

É claro que a tendência dos entusiastas pela busca aos exoplanetas é de interpretar a recusa como uma confirmação tácita. Mas isso, é claro, seria muito prematuro. Se as declarações feitas pela fonte da Spiegel forem fidedignas, sua confirmação virá em breve. Enquanto isso, é preciso ter paciência.