Cinema brasileiro emplaca cinco filmes no Festival de Cannes, na França

‘Bacurau’ e a coprodução com a Itália ‘O Traidor’ estão na disputa pela Palma de Ouro

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Cena de Bacurau, que está fazendo bonito em Cannes (Foto: Divulgação Victor Jucá)
Cena de Bacurau, que está fazendo bonito em Cannes (Foto: Divulgação Victor Jucá)

O Brasil está fazendo bonito na 72ª edição do Festival de Cannes, na França, que acontece entre 14 e 25 de maio.  O longa-metragem ‘Bacurau’, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles é um dos 21 filmes selecionados para competir pela Palma de Ouro, o mais prestigioso prêmio do mais importante festival de cinema do mundo. As informações são da France Presse.

Na mesma competitiva está ‘O Traidor’, do italiano Marco Bellocchio. Coprodução com o Brasil, o filme foi em parte rodado no Rio de Janeiro – sua coprotagonista é a atriz Maria Fernanda Cândido.

Há ainda três longas dirigidos por brasileiros em outros páreos: ‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’, de Karim Aïnouz, na mostra Um Certo Olhar; ‘Sem Seu Sangue’, de Alice Furtado, na Quinzena dos Realizadores, e ‘Indianara’, documentário de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, na mostra Acid.

Ao mesmo tempo em que a produção autoral nacional vem fazendo bonito no exterior, enfrenta uma grande crise internamente. Desde abril, a Agência Nacional do Cinema suspendeu repasses de verbas para séries e filmes, inclusive aquelas já em produção. A decisão veio na esteira de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que reprovou a metodologia adotada pela agência para verificar a prestação de contas dos recursos investidos.

“É muito preocupante o que está acontecendo. O audiovisual brasileiro é uma indústria em formação. O trabalho que foi feito na última década já repercutiu. Começamos a criar um ecossistema com fornecedores, talentos, produtoras independentes. Cultura e cinema são essenciais para o pleno desenvolvimento de um país, isso já está comprovado. Temos que acompanhar todos os passos e buscar cada vez mais nos articular como indústria para termos uma voz nesse novo cenário político”, afirma o produtor Rodrigo Teixeira, da RT Features, de A vida invisível de Eurídice Gusmão.

Depois do protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff que marcou a première de Aquarius, em Cannes, em 2016, Kleber Mendonça Filho já afirmou mais de uma vez que a equipe de Bacurau não deverá fazer nenhum ato de cunho político na sessão de gala. “O que acontece hoje com Bolsonaro tem uma ampla cobertura da imprensa internacional. Em maio de 2016, tínhamos a impressão de que a imprensa internacional não entendia realmente o que estava acontecendo no Brasil. Exibir em Cannes um filme foda sobre o Brasil vai ser nosso tipo de protesto”, afirmou o cineasta à agência France Presse.