Companhias aéreas apelam aos passageiros

Segmento pede “de joelhos” para sobreviver ao pior ano da história

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Com os aviões parados, o prejuízo do setor este ano deve ser de $85 bilhões (Foto: Reprodução da TV CNBC)
Com os aviões parados, o prejuízo do setor este ano deve ser de $85 bilhões (Foto: Reprodução da TV CNBC)

DA REDAÇÃO – Um dos setores mais afetados pela crise sanitária, a aviação comercial decidiu suplicar ajuda aos passageiros, como a única forma de se manter viva no pior ano da história em termos de faturamento. “Pedimos de joelhos”, afirmou sem qualquer pudor o diretor da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), Alexander de Juniac.

A intenção das empresas é que os passageiros aceitem vouchers para a compra de novos bilhetes no futuro, em vez de reembolso em dinheiro, garantido pela lei de defesa do consumir em caso de voos cancelados. Isso, no entanto, agravaria ainda mais a situação da indústria. A IATA estima que o setor terá um prejuízo em torno de $85 bilhões em 2020, devido ao impacto da pandemia do novo coronavírus.

“Estamos pedindo por pura necessidade, não por prazer. Nossa atividade cuidar dos passageiros e não apresentar dificuldades. Mas as contas das empresas se encontram em um estado absolutamente apocalíptico”, acrescentou o diretor. Ele mesmo sabe que, mesmo com a súplica das empresas, esta é uma luta inglória.

Isso porque alguns passageiros já estão tentando reaver o dinheiro gasto com as passagens dos voos cancelados. As normas na Europa, nos Estados Unidos e na maioria dos países garantem o reembolso em no máximo duas semanas, na mesma forma do pagamento efetuado. Em Bruxelas, capital da Bélgica, já existe um procedimento judicial coletivo contra 10 países da União Europeia para defender o direito da população.

Caso não consiga convencer a sociedade do caos nas finanças, a IATA tentará, como última alternativa, adiar o pagamento do ressarcimento para, pelo menos, nove meses. Para isso, a entidade negocia com uma comissão formada por representantes dos países do continente. “O ideal é que as companhias aéreas pudessem reembolsar na forma de ativos, ou seja, passagens futuras, mas a situação está muito difícil para todos”, admitiu Juniac.  

Desde o advento da COVID-19 e as restrições de viagem, algumas empresas tiveram que devolver aeronaves, colocar funcionários de licença e tomar medidas ainda mais drásticas. A Latam, a Avianca e a Aeromexico, por exemplo, pediram recuperação judicial nos EUA, sendo que as duas últimas já converteram a situação do processo para falência, pois não conseguem enxergar possibilidades de retomada dos negócios. A Boeing divulgou que mais de 500 pedidos de aeronaves foram cancelados no primeiro semestre.