Conexão UF, Spring 2021: Introdução às colunistas

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    A Universidade da Flórida (UF), em Gainesville, ocupa a 6ª posição dentre as melhores universidades públicas dos Estados Unidos (US News & World ).

    A UF busca internacionalizar-se cada vez mais. Em entrevista prévia ao AcheiUSA, o atual reitor comentou sobre a importância do Brasil e da comunidade brasileira na Flórida para a UF.

    O nosso Programa de Português é renomado e inovador. Oferecemos aulas de literatura, linguística e estudos culturais, assim como aulas voltadas para fins profissionais e programas de intercâmbio no Brasil. As alunas estagiárias foram selecionadas pela sua dedicação à aprendizagem da língua portuguesa, seus interesses acadêmicos relacionados ao Brasil, e suas experiências com a comunidade brasileira na Flórida. Acompanhem a nossa coluna bissemanal, “Conexão UF”, aqui no AcheiUSA.

    Victoria Chbane

    Olá! Meu nome é Victória e tenho 20 anos de idade. Nasci em Orlando, no dia 2 de julho e, para aqueles que gostam de astrologia, sou canceriana. Estou no meu terceiro ano na Universidade da Flórida (UF) estudando economia e psicologia com minors (matérias secundárias) em português e estatística. 

    Estou muito feliz por ter a oportunidade de escrever para este jornal. É uma honra poder compartilhar minhas ideias com a comunidade brasileira nos Estados Unidos através desta coluna e espero que vocês gostem.

    Minha conexão com o Brasil começou quando eu nasci, toda minha família é de lá: meus pais e meus dois irmãos mais velhos. Portanto, sou a única gringa. Sou muito agradecida à minha família que fez questão de que eu aprendesse a falar português em casa, o que me levou a aprender português antes de inglês. O problema é que quando entrei na escola, muitas vezes não sabia como falar certas frases em inglês. Aos poucos meu inglês foi melhorando; porém, devido à falta de prática, meu português foi piorando. Quando entrei na faculdade, sabia que queria fazer algumas aulas de português para melhorar minha gramática, mas não tinha ideia de como a comunidade que estava me esperando seria tão carinhosa.

    Ainda não fui ao Brasil. Planejava participar do programa UF in Rio ano passado, mas a COVID-19 mudou tudo. Assim sendo, as aulas de português e a minha família são meus únicos vínculos à cultura brasileira. Nas minhas aulas, tive a oportunidade de aprender muito sobre vários aspectos do Brasil, como a literatura nacional através de grandes escritores como Rachel de Queiroz e Clarice Lispector, e a cultura nordestina. Nas minhas aulas de psicologia, aprendi bastante também, desde o desenvolvimento psicológico à psicologia cognitiva. É muito interessante ver como a psicologia pode ser utilizada para ajudar alguém no seu cotidiano, e como a cultura é fundamental para a formação da sua identidade. Estou animada pela oportunidade de poder escrever sobre estes assuntos.

    Megan Radney

    Oi, pessoal! Meu nome é Megan e sou aluna do quarto ano na UF. Estou me formando em psicologia, português e cultura brasileira, e também sou apaixonada pela medicina – portanto, pretendo estudá-la como aluna de pós-graduação. No meu tempo livre, gosto da natureza e de conhecer lugares novos, viajar, experimentar novas comidas, e escutar música sertaneja e forró.

    Minha conexão com o Brasil começou no meu último ano de ensino médio quando eu participei do programa de intercâmbio do Rotary. Cheguei ao Brasil com 17 anos com três malas, um blazer azul e cheia de esperança para o ano que eu iria passar em João Pessoa, Paraíba. Não sabia quando desembarquei do avião quão transformador o próximo ano seria. Mas eu logo descobri quanto eu amaria o Nordeste e quanto me encaixaria na minha família anfitriã e na cultura brasileira. O Brasil e minha família brasileira me ensinaram a viver cada dia intensamente, e a ser mais leve e carinhosa. Nasci e fui criada na Flórida, mas gosto de dizer que sou brasileira de coração. 

    Nos meus primeiros meses em João Pessoa, eu tinha pouco conhecimento da língua portuguesa. Foi com a ajuda da minha mãe e irmãs brasileiras que eu comecei a desenvolver a minha habilidade verbal. Ao voltar aos Estados Unidos e entrar na faculdade comecei a fazer aulas de português. Além de ser uma maneira de aperfeiçoar o idioma, as aulas me permitiram participar de uma comunidade brasileira aqui na Flórida. Depois do meu primeiro ano na faculdade, voltei ao Brasil para matar as saudades da minha família e também para estudar no Rio de Janeiro com o programa UF in Rio

    Além das aulas, eu participo de várias organizações estudantis brasileiras como a BRASA at UF (Associação de Estudantes Brasileiros da Universidade da Flórida) e o Brazilian Student Association, (Bate-Papo), assim como organizações da área de saúde como o Clube de Psicologia. Também faço trabalho voluntário com Rotary como uma Rotex, ou seja, uma intercambista veterana do Rotary. Como parte da diretoria inaugural do Northeast Florida Rotex Club, treino os atuais e futuros intercambistas e faço vários projetos voluntários para ajudar a minha comunidade. No futuro, espero unir minha experiência médica com meu amor pelo Nordeste do Brasil para criar uma ONG que trabalhe junto à população local para suprir as necessidades em termos de saúde hospitalar. 

    Me sinto muito grata por ter esta oportunidade e mal posso esperar a hora de escrever para vocês outra vez, leitores.

    Nicole Wang 

    Meu nome é Nicole Wang e tenho 21 anos. Estou no processo de completar meu último ano na UF. Sou estudante de pré-medicina, e estou me formando em biologia e português. No meu tempo livre, adoro curtir meus amigos e minha família, comer comida brasileira, passear ao ar livre e ler.

    Gosto de ciências desde criança, e acredito que seja a razão pela qual sempre me interessei por medicina. Tenho muito interesse em obstetrícia e ginecologia porque acho o processo de gravidez muito incrível. Tenho a ambição de ser médica um dia, então espero entrar na faculdade de medicina assim que terminar meu bacharelado. Atualmente estou trabalhando como scribe em medicina de emergência, o que tem sido uma experiência incrível mesmo tendo começado durante uma pandemia.

    Você deve estar se perguntando: “E por que ela estuda português?” Para começar, minha mãe nasceu e foi criada em Porto Alegre, e meu pai é descendente de chineses, porém mudou-se para Porto Alegre aos 11 anos. Por isso, a língua predominante falada em casa sempre foi o português. Eu nasci no Canadá, mas moro nos EUA há muitos anos. As pessoas me perguntam se minha primeira língua foi português e inglês, e para ser sincera, eu não tenho muita certeza. Pelo que me lembro, aprendi português e inglês ao mesmo tempo. O que me leva ao principal motivo pelo qual decidi estudar português. Queria aprender a gramática, saber ler e escrever bem em português. Além disso, todos precisam de cuidados médicos e há muitos brasileiros na Flórida. Achei que, aprendendo bem o idioma, seria capaz de me comunicar melhor com meus futuros pacientes brasileiros e falantes de português.

    Estou muito animada por poder fazer parte desta coluna este ano. Nunca tive a oportunidade de expressar minhas ideias para o público geral. Espero produzir uma coluna que transforme meu interesse pela medicina e meu amor pela língua brasileira em algo útil para toda a comunidade de leitores.

    Texto produzido por Victoria Chbane, Megan Radney e Nicole Wang (University of Florida) –, com supervisão da Professora Andréa Ferreira e da redação.