Tráfico de drogas, invasões e abandono faziam parte da rotina da Escola Estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão, no estado de São Paulo, até meados da década passada. Hoje, a mesma escola aparece em reportagens internacionais como exemplo de transformação na educação pública.
Relatos de alunos e da equipe escolar entre 2014 e 2016 descrevem um cenário crítico: drogas circulando dentro da escola, violência frequente e depredação. A evasão era alta, e a unidade perdia alunos continuamente.
O reconhecimento veio em 2025. A Parque dos Sonhos levou o prêmio World’s Best School na categoria “Superação de Adversidades”, da organização T4 Education. O diretor Régis Marques esteve em Abu Dhabi para a premiação, que impulsionou a visibilidade global da escola.
E a transformação começou em 2016, com a chegada de Régis à direção. Ele enfrentou resistência e episódios de violência, incluindo ataques à estrutura da escola. A resposta foi apostar em uma mudança profunda de gestão.
A estratégia combinou recuperação do espaço físico e reformulação da rotina escolar. A escola ampliou atividades extracurriculares, criou novas formas de engajamento e intensificou o contato com as famílias, inclusive com visitas às casas dos alunos.
O efeito imediato foi na permanência dos estudantes. A frequência aumentou e episódios de indisciplina e violência diminuíram com os anos. Com mais alunos em sala, os indicadores de aprendizagem também avançaram.
Hoje, a escola tem uma realidade diferente, com aumento no número de matrículas e maior estabilidade no ambiente escolar. Mais do que um caso isolado, o exemplo passou a ser usado em debates sobre o papel da gestão escolar em áreas vulneráveis, e até que ponto esse tipo de transformação pode ser replicado.
