Delegada que cuida do caso de Karol Eller diz que episódio é ‘típico de homofobia’

Mas suspeito da agressão afirmou em depoimento que Karol tinha arma na cintura e se apresentou como delegada federal

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Agressões deixaram o rosto da YouTuber desfigurado (Reprodução)

A polícia do Rio de Janeiro já identificou os suspeitos de envolvimento na agressão à youtubber Karol Eller, que foi espancada na praia da Barra da Tijuca no domingo (15). O caso está sendo tratado como crime de homofobia, seguido de lesão corporal e injúria, pela delegada Adriana Belém, da 16 Delegacia Policial.

Segundo depoimento da namorada de Karol, Suellen dos Santos, à polícia,  as duas estavam em um quiosque da praia quando conheceram um casal acompanhado de um amigo. Suellen, que é policial civil, disse que a certa altura um dos suspeitos, o supervisor de manutenção Alexandre da Silva, de 42 anos, começou a referir-se a Karol como “ele” e disse que ela “não era mulher, era homem.” Quando Karol disse que precisava ir ao banheiro, Alexandre teria sugerido para “ela fazer atrás do quiosque, já que, como homem, não precisava usar o sanitário” Alexandre também teria elogiado Suellen, dizendo que “era uma morena muito bonita. Está fazendo o quê com isso? Isso é um homem?”. Em seguida, Alexandre teria empurrado Karol e a agrediu fisicamente “até derrubá-la e deixá-a desacordada”, diz o depoimento de Suellen.

 “Não estou conseguindo falar nem ler direito. Estou com fortes dores na cabeça. Só quero agradecer a todo carinho que tenho recebido dos meus amigos e seguidores”, disse a yoububer à reportagem do jornal carioca O Globo.

“Trata-se de um caso típico de homofobia, sem ligação com a militância da vítima. De acordo com os depoimentos, os agressores chamavam a Karol o tempo todo de sapatão e demonstravam claramente preconceito. Já requisitamos os exames de corpo de delito de todos os envolvidos e vamos fazer diligências para localizarmos câmeras que possam ter flagrado a confusão e possíveis testemunhas do fato”, comentou a delegada titular da Delegacia, Adriana Belém.

Alexandre e o casal negam as acusações no seu depoimento. O principal suspeito disse que quando chegaram no quiosque repararam que Karol estava com uma arma na cintura, o que “chamou a atenção”. Em certo momento, segundo Alexandre, Karol teria deixado a arma cair no chão, e se apresentou como delegada federal. A arma pertencia a Suellen.

“Não sou homofóbico, não aconteceu nada disso que ela está dizendo. Eu e minha família estamos sendo ameaçados na rua por uma mentira absurda que essa menina inventou. Tenho certeza de que vamos provar a verdade”, disse Alexandre à reportagem do jornal O Globo.

A mineira Karol Eller, de 32 anos, morou durante muitos anos no sul da Flórida, onde ficou popular na comunidade de brasileiros da região. Foi uma das primeiras a apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência. Tornou-se íntima da família do presidente e acabou ganhando um cargo na Empresa Brasileira de Comunicações (EBC), e voltou para o Brasil. Homossexual assumida, é uma personagem polêmica no meio LGBT.