Deputados Republicanos da Flórida querem votar leis anti-imigrantes

Atentados em Paris causaram onda de xenofobia que chegou até os EUA

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DA REDAÇÃO (com Agências) – Os ataques terroristas em Paris da semana passada têm repercutido no debate imigratório nos Estados Unidos. Havia a suspeita não confirmada de que um dos criminosos terroristas que atacaram Paris seria cidadão sírio. A Síria está no meio do sangrento conflito causado pelo grupo radical islâmico EI (estado islâmico), que assumiu a autoria dos atentados que vitimaram 129 pessoas na capital francesa. O suspeito de orquestrar os atentados, entretanto, é Abdelhamid Abaaoud, cidadão belga, morto pela polícia francesa na quarta-feira (18), depois de uma caçada pelos subúrbios de Paris.

Além do horror em Paris, os atentados causaram uma onda de xenofobismo que chegou até os EUA. O País se preparava para receber centenas de refugiados sírios que buscam escapar do país devastado pelo regime de terror do EI. Numa declaração conjunta, governadores de 26 estados governados por Republicanos disseram que vão recusar os refugiados sírios em seus territórios depois dos atentados.

Na Flórida, a pretexto de que o governo federal não está fazendo o necessário para reprimir a imigração ilegal, um grupo de deputados estaduais Republicanos disseram na terça-feira (17) que entrarão com uma série de propostas de leis visando a repressão aos imigrantes indocumentados no estado.

“O governo federal decepcionou o povo dos Estados Unidos da América no que diz respeito à política imigratória”, disse o deputado Matt Gaetz (R), de Fort Walton Beach ao jornal “Orlando Sentinel”. “Nossas fronteiras são uma peneira, a vigilância é displicente e a imigração representa uma ameaça à nossa segurança física, à segurança nacional e à economia nacional. ”

O pacote inclui o projeto de lei HB 675, proposto pelo deputado Larry Metz (R), de Yalaha, que visa punir as chamadas “cidades-santuários” áreas urbanas que não cooperam com os agentes federais no esforço de deportar imigrantes ilegais. O procurador-geral do estado teria poderes para entrar com ações civis contras as cidades, com multas que podem chegar a $5 mil por dia às que possuam políticas “escritas ou implícitas” de cidades-santuários.

A iniciativa vem em represália ao caso de Kate Steinle, que foi assassinada por um imigrante indocumentado, que já havia sido preso anteriormente por uma infração leve e depois liberado, de acordo com as práticas das cidades-santuários, como São Francisco, onde o crime aconteceu.

O projeto de Metz também prevê a suspensão da soberania dos governos locais na implantação de práticas de cidades-santuários, permitindo que as vítimas ou famílias das vítimas de crimes violentos cometidos por imigrantes indocumentados exijam a punição devida.

Grupos de defesa dos imigrantes, entretanto, afirmaram que o projeto de Metz vai destruir famílias e “incentivar o racismo”.

“Além de estimular o ódio e o racismo que vai dividir ainda mais as comunidades, essa lei ‘big brother’ na verdade vai onerar os contribuintes locais, para financiar a repressão aos seus próprios residentes”, disse Maria Rodriguez, diretora executiva da Florida Immigration Coalition.

Outrs projetos que estão para sair das gavetas incluem transformar em criminoso o imigrante indocumentado que permaneça no estado além do tempo establecido na sua ordem de deportação (HB 9) e reprimir o uso de benefícios sociais que possam estar sendo usados por imigrantes ilegais (HB 563).

Depois de um aumento significativo no número de deportações, durante os primeiros três anos do governo Obama, as remoções de imigrantes ilegais vem caído nos últimos anos. Houve 188.422 deportações em 2011 e 102.224 em 2104.