DeSantis quer impedir uma possível extradição de Trump da Flórida para New York

Governador anunciou que não entregará o ex-presidente para New York, caso ele seja denunciado por um grand jury em Manhattan por fraudes fiscais e econômicos envolvendo a Organização Trump

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Ex-presidente ex-está na mira da Procuradoria-Geral de NY (foto: fickr)

O governador Ron DeSantis disse que tentará impedir a extradição do ex-presidente Donald Trump da Flórida para New York, caso ele seja denunciado por um grand jury em Manhattan.

A Organização Trump -que envolve dezenas de empresas que vão de hotéis a clubes de golf- está na mira de uma investigação da Procuradoria-Geral de NY sobre supostas declarações falsas de valores de propriedades para garantir empréstimos e obter benefícios econômicos e fiscais.

“A investigação sobre a organização Trump não é mais civil, agora estamos investigando ativamente em caráter criminal”, disse Fabien Levy, um porta-voz da Procuradoria, em um e-mail enviado ao site Politico.

Assim, se Trump for denunciado em uma corte de Manhattan, o estado de NY terá de pedir à Flórida sua extradição devido ao forte sistema federativo dos EUA, que assegura um alto nível de autonomia para cada estado.

“ DeSantis pode atrasar as coisas ”, disse o procurador de Palm Beach, Dave Aronberg, à MSNBC.

Especula-se que o governador da Flórida planeja se candidatar à Casa Branca em 2024 pelo Partido Republicano. Ele calcula, segundo a imprensa, que se conseguir impedir a extradição de Trump ou pelo menos tentar fazê-lo, poderá conquistar a enorme base eleitoral do ex-presidente, que teve 75 milhões de votos em 2020. 

Mas mesmo assim, pode não ser fácil. Segundo o professor de direito da University of Texas, Steve Vladeck, se Trump for indiciado em New York, tanto a Constituição dos EUA quanto um estatuto federal datado de 1793 exigem que DeSantis (ou o governador de qual for o estado que Trump esteja no momento) o entregue

“Se DeSantis  se recusar, uma decisão da Suprema Corte de 1987 deixa claro que os tribunais federais podem ordenar que ele cumpra. “A lei de extradição interestadual é clara e direta”, falou Vladeck.

Além da investigação da Procuradoria de New York encabeçada pela procuradora Letitia James, as negociações feitas pela Organização Trump antes de o ex-mandatário assumir a presidência também estão sendo auditadas pelo procurador do distrito de Manhattan, Cyrus Vance, há mais de dois anos.