Imigração Manchete

Dirigir alcoolizado pode resultar em perda de visto para os Estados Unidos

Consulados americanos passaram a negar ou revogar as autorizações com base em infrações consideradas menores, mesmo quando não houve condenação judicial

Segundo o governo americano, não são toleradas violações de leis por parte de visitantes estrangeiros e as medidas visam fortalecer a segurança nacional e a segurança públic.pública (Foto: Freepik)
Segundo o governo americano, as medidas visam fortalecer a segurança nacional e pública (Foto: Freepik)

Uma mudança silenciosa na política migratória dos Estados Unidos tem ampliado as barreiras de entrada para estrangeiros. Reportagem do Financial Times revelou que consulados americanos passaram a negar ou revogar vistos com base em infrações consideradas menores, incluindo registros antigos de dirigir sob efeito de álcool, mesmo quando não houve condenação judicial.

O endurecimento está amparado na interpretação ampliada da Immigration and Nationality Act, especialmente da seção 214(b), que concede aos oficiais consulares ampla autonomia para negar vistos quando o solicitante “não demonstra suficientemente” que é elegível. Na prática, isso permite recusas sem explicação detalhada e sem a exigência de condenação criminal.

Segundo o Financial Times, consulados americanos têm utilizado esse dispositivo para barrar viajantes com históricos que antes raramente impediam a emissão do documento, como advertências policiais antigas, uso de drogas em países onde eram legais, envolvimento em brigas e infrações de trânsito relacionadas ao consumo de álcool.

Embora os casos mais recentes tenham vindo à tona no Reino Unido, advogados de imigração afirmam que a diretriz tem aplicação global. O impacto tende a ser ainda mais direto para os brasileiros, em virtude da obrigatoriedade de visto, que os expõe a um grau elevado de análise individual.

Especialistas em imigração relatam que brasileiros com antecedentes — mesmo antigos ou de natureza administrativa — passaram a enfrentar entrevistas mais longas, exigência de documentação judicial completa e, em alguns casos, encaminhamento para avaliação médica consular, procedimento comum quando há referência a álcool ou drogas.

A medida também se estende a vistos já concedidos. O Departamento de Estado dos Estados Unidos tem ampliado o uso de revogações consideradas “prudenciais”, mecanismo que permite cancelar vistos com base em avaliações de risco, mesmo na ausência de novos crimes. Nesses casos, o carimbo no passaporte perde a validade, e o viajante só poderá retornar aos Estados Unidos mediante novo pedido de visto, sem garantia de aprovação.

Com informações do Financial Times.

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