Trump bate na tecla sobre muro e imigração em discurso no Estado da União

Aplaudido de pé por diversas vezes, Trump também pediu a união dos dois partidos pelo bem comum dos americanos

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Trump falava com jornalistas sobre a pandemia de Covid-19 e os decretos assinados no fim de semana
Trump falava com jornalistas sobre a pandemia de Covid-19 e os decretos assinados no fim de semana

O presidente Donald Trump fez o tradicional discurso sobre o Estado da União na noite de quarta-feira (6)  batendo na tecla sobre a importância da construção do muro na fronteira com o México e sobre o ‘perigo que os imigrantes ilegais representam’, além de pedir a união entre Republicanos e Democratas. Trump foi aplaudido de pé por diversas vezes durante o discurso, que teve duração de duas horas. As informações são da CNN e G1.

O discurso havia sido marcado para 29 de janeiro. Porém, por causa do “shutdown”, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, remarcou o evento. Pelosi e o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, estavam sentados atrás do presidente e sendo focalizados o tempo todo pelas câmeras.

“Não vamos governar como dois partidos, mas como uma nação”, disse na abertura do discurso;

Para defender a proposta do muro, Trump disse que a criminalidade em El Paso – cidade no Texas que faz fronteira com o México – caiu drasticamente depois que uma cerca foi instalada lá.

“Simples assim, muros funcionam e muros salvam vidas. Então vamos trabalhar juntos, com compromisso, e chegar a um acordo que realmente torne os EUA seguros”, disse Trump.

Trump e o Congresso têm até 15 de fevereiro para chegar a um acordo sobre o orçamento para segurança na fronteira – para a qual o presidente faz questão de uma barreira física. Caso o impasse continue, um novo “shutdown” deve começar.

O presidente afirmou que as caravanas migratórias são perigosas para os próprios migrantes e permitem a entrada de drogas letais “que cruzam nossas fronteiras e inundam nossas cidades”. “Tolerância com a imigração ilegal não é compaixão – é crueldade”, disse.

“Eu quero que as pessoas venham para o nosso país ainda mais do que nunca, mas elas devem vir legalmente”, afirmou Trump.

‘Investigações partidárias ridículas’

Em um dos momentos mais controversos do discurso, Trump atacou as investigações que considera partidárias. Segundo ele, inquéritos abertos contra ele e aliados freiam o que chamou de “milagre econômico” nos EUA.

“A única coisa que pode parar nossa economia são guerras tolas e investigações partidárias ridículas”, disse Trump.

O presidente está na mira do procurador especial Robert Mueller por um suposto conluio com a Rússia nas eleições de 2016. Em outras ocasiões, Trump disse ser alvo de uma “caça às bruxas”. Na terça-feira, integrantes da equipe do republicano foram intimados para esclarecer gastos durante a última campanha presidencial.

Venezuela

Trump foi aplaudido de pé pela maioria dos presentes na cerimônia quando mencionou o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Os EUA foram o primeiro país a reconhecer o oposicionista no cargo.

“Nós apoiamos o povo venezuelano em sua nobre busca pela liberdade, e condenamos a brutalidade do regime [de Nicolás] Maduro, cujas políticas socialistas fizeram dessa nação, antes a mais rica da América do Sul, um estado de pobreza e desespero”, afirmou Trump.

O presidente ainda disse que está “alarmado” por tentativas de “adotar o socialismo nos EUA”. “Os EUA foram fundados na liberdade e na independência, não na coerção governamental, na dominação e no controle”, defendeu.

“Nós nascemos livres, e vamos ficar livres. Nesta noite, nós renovamos nossa promessa de que os EUA nunca serão um país socialista”, discursou Trump.

 Coreia do Norte

Trump também usou o discurso para anunciar que o segundo encontro com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ocorrerá em 27 e 28 de fevereiro no Vietnã. Os dois se encontraram em junho do ano passado, em Singapura.

Ele celebrou o avanço das negociações com o regime de Kim. “Nossos reféns voltaram para casa, os testes nucleares foram interrompidos – não houve lançamento de mísseis nos últimos 15 meses”, mencionou.

“Se eu não tivesse sido eleito presidente dos Estados Unidos, nós estaríamos agora em uma grande guerra com a Coreia do Norte”, apontou Trump.