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‘Encantados’, de Tizuka Yamazaki, abre o 20º Brazilian Film Festival of Miami com projeção ao ar livre

O mais tradicional festival de cinema brasileiro realizado no exterior é uma referência na divulgação do cinema nacional e, nessa edição, visa jogar o holofote sobre as questões do empoderamento feminino

Adriana Dutra, Flávia Guimarães, Viviane Spinelli e Claudia Dutra durante o 20th Brazilian Film Festival of Miami (Foto: Marcio Salim)
Adriana Dutra, Flávia Guimarães, Viviane Spinelli e Claudia Dutra durante o 20th Brazilian Film Festival of Miami (Foto: Marcio Salim)

COLABORAÇÃO de Heloisa Tolipan – Foi em grande estilo a largada da vigésima edição do Brazilian Film Festival em Miami, sábado, dia 17. O mais tradicional festival de cinema brasileiro realizado no exterior – organizado pelas irmãs Adriana e Cláudia Dutra + a sócia Viviane Spinelli através da Inffinito Produções – é uma referência na divulgação do cinema nacional e exibe um panorama diversificado da mais recente produção audiovisual brasileira para todo o mundo, fomentando, assim, a indústria a nível global. Pois bem, filmes inéditos e premières tomarão conta de Miami Beach até o próximo dia 24, quando haverá uma noite de encerramento para lá de badalada no Colony Theatre.

A história da Inffinito começou lá atrás, em 1995. Enquanto passava um período em Miami, Adriana se juntou à irmã, Cláudia Dutra, e a Viviane Spinelli e elas criaram o Brazilian Film Festival of Miami. O sucesso foi tanto que o evento tornou-se oficial na cidade e fez com que as três firmassem de vez nos Estados Unidos a chancela do cinema brasileiro. “Minha formação é em artes cênicas com pós em direção. Eu estava em Londres fazendo um curso, em 1994, e ia voltar para o Brasil, mas a minha irmã morava em Miami e eu fui visitá-la. Eu tinha feito curso de direção para espetáculo, não cinema, mas foi a época do (Fernando) Collor aqui no Brasil e o meu grupo de teatro dizia para eu não voltar, porque era um momento muito difícil para a cultura. Fiquei em Miami e fundei a Inffinito com a Cláudia e a Viviane. Essa escala mudou a minha vida completamente”, contou Adriana.

Pois bem, de lá para cá, 20 anos se passaram. “É uma super emoção. O nosso festival surgiu antes da retomada do cinema brasileiro. O primeiro foi em 1997 e nós não sabíamos o que esperar, não havia quase internet e não tínhamos ideia de como as pessoas iam receber o cinema brasileiro. Teve fila na porta da Universidade de Miami e, a partir daí, fomos convidadas para compor o calendário oficial da cidade. Foi crescendo e, hoje, é o maior festival de cinema brasileiro no exterior e também um ponto de venda de filmes – já que é por meio dos festivais que fazemos conexões. Passaram diversos governos na nossa vida e todos sempre nos apoiaram. Os americanos reconhecem a importância do cinema brasileiro e seu impacto social na cidade”, disse Adriana.

Através de mostras audiovisuais e eventos musicais, o Braff tem como objetivo expandir a audiência do cinema brasileiro gerando uma transformação individual e coletiva. Composto pelas Inffinito Núcleo de Arte e Cultura, Inffinito Eventos e Produções, Inffinito Entretenimento e Comunicações (Brasil) e Inffinito Foundation (EUA), o Grupo Inffinito promove e difunde a produção cultural brasileira, tanto no Brasil quanto no exterior, promovendo eventos em países como Estados Unidos, Uruguai, Chile, Nova York e Argentina “Miami era carente de cultura e eu vi que existia uma oportunidade para trabalhar a imagem do Brasil. Abrimos a Inffinito em 1995 e fizemos shows, exposições, eventos”, lembrou.

Em 2003, as três sócias deram mais um grande passo. Produziram o 1º Festival de Cinema Brasileiro de Nova York. Três anos depois, deram início ao Cine Fest Brasil-Barcelona, consolidando assim o Circuito Inffinito de Festivais, que em 2007 passou por Miami e Nova York, nos EUA, Barcelona, na Espanha, e Frascatti, na Itália. Em 2008, o Circuito foi realizado em Canudos, na Bahia, Buenos Aires, Madri, Miami, Roma, Milão, Nova York, Vancouver e Barcelona.

Comemorando seu vigésimo ano, a curadoria de 2016 foi realizada especialmente por suas diretoras e fundadoras: Adriana L. Dutra, Cláudia Dutra e Viviane B. Spinelli que selecionaram os filmes da Mostra Competitiva de Longas Metragens da Mostra Diretoras Brasil – a última, a fim de dar foco ao empoderamento feminino no audiovisual e, com isso, gerar debate em torno da igualdade da posição da mulher na sociedade.

A estimativa é de que cinco mil pessoas passem pelo evento – cerca de 40%  brasileiros e 60% de americanos, latinos e europeus.

Carolina Dieckmann, Heloisa Tolipan e Ingrid Guimaraes
Carolina Dieckmann, Heloisa Tolipan e Ingrid Guimaraes

Primeira noite da mostra competitiva tem sala cheia

A comédia “Um Namorado para a Minha Mulher” abriu a mostra competitiva do 20º Brazilian Film Festival of Miami, na noite de quarta-feira (21), na Cinematéque, na Magic City. O filme, apresentado pelo AcheiUSA, conta a história de Chico (Caco Ciocler) que está cansado do seu relacionamento e das reclamações da esposa, Nena (Ingrid Guimarães). Após 15 anos vivendo juntos, Chico não tem coragem de pedir o divórcio. Ele decide seguir o conselho dos amigos e contrata um amante para sua esposa, o sedutor Corvo (Domingos Montagner), na esperança de que ela se envolva com ele e acabe com o casamento. A direção é de Júlia Rezende.

Cena de “Um Namorado Para Minha Mulher”
Cena de “Um Namorado Para Minha Mulher”

Esse foi o último filme gravado pelo ator Domingos Montagner, que morreu no último dia 15, vítima de afogamento no rio São Francisco. A morte do ator gerou grande comoção em todo o Brasil. “O Domingos era um grande companheiro de cena, muito querido”, disse a atriz Ingrid Guimarães ao AcheiUSA. Na abertura do filme, o ator foi homenageado e a plateia cantou junto com Ingrid um trecho de uma música de circo para lembrar o artista, que começou a carreira no circo.

Ingrid já ganhou dois prêmios do festival de Miami, com “Loucas para Casar” e “De Pernas para o Ar 2” e está na torcida para levar mais uma Lente de Cristal para casa. “Acompanho os festivais da Inffinito há muitos anos, já apresentei um deles e sou fã. Este ano a competição está acirrada, mas espero vencer”, disse a atriz.

Chatô

O filme “Chatô – o Rei do Brasil” foi apresentado em seguida pela diretora de marketing do AcheiUSA, Esterliz Mayer Nunes e pela diretora do Centro Cultural Brasil-USA, Adriana Sabino, que chamaram o diretor Guilherme Fontes ao palco. Baseado no livro homônimo de Fernando Morais, o longa-metragem retrata vida e obra do magnata das comunicações Assis Chateaubriand (Marco Ricca). Cínico, debochado, mulherengo e extrovertido, Chatô era uma figura polêmica por natureza. Fez fortuna e fama através de sua rede de jornais, os Diários Associados, fundou a Rádio Tupi e depois a TV Tupi.

“Depois de tantos anos e polêmicas, é uma grande alegria apresentar o ‘Chatô’ ao Brasil e ao mundo. O filme estará no Netflix mundial a partir do dia 1º de outubro. Isso para mim é uma grande vitória, estou completamente realizado”, afirmou Fontes.

O Brazilian Festival of Miami termina neste sábado (24) com a apresentação do filme “Tô Ryca”, de Pedro Antônio e “Nise – o Coração da Loucura”, de Roberto Berliner. Na noite de encerramento será anunciado o vencedor do prêmio “Lente de Cristal” escolhido pelo público.

Veja fotos do evento clicando aqui.

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