Escola de inglês fecha as portas sem aviso e deixa centenas de brasileiros na mão

Alunos estão sem respostas, com medo de ter o visto de estudante cancelado e muitos perderam dinheiro: “Eu estou muito abalada, longe do Brasil, da minha família e tendo que desembolsar dinheiro para um novo curso, já que paguei adiantado por este $9.230”, disse uma aluna

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Alunos do Inlingua de Tampa (FL), assim como de outras unidades da FL, estão sem respostas
Alunos do Inlingua de Tampa (FL), assim como de outras unidades da FL, estão sem respostas

Estudantes e professores da escola de idiomas Inlingua foram pegos de surpresa na segunda-feira (5) ao chegarem para a aula e encontrarem as portas fechadas. Eles foram notificados apenas por um e-mail enviado na noite anterior dizendo que a escola havia encerrado as atividades, mas que todos os alunos seriam encaminhados, sem prejuízo, a outra escola da região. Mas, segundo os alunos, isso não aconteceu. A escola fornece o I-20, ou seja, é composta por alunos com visto de estudante.

A Inlingua tem oito unidades na Flórida e centenas de brasileiros foram prejudicados pelo fechamento da escola. Em contato com o AcheiUSA, aluna da escola de Tampa (FL) a estudante Laura Dantas disse estar buscando respostas para o que aconteceu. “Paguei 14 semanas e só cursei oito, eles me devem $2.100, seis semanas de curso. Mas tem gente que perdeu muito mais porque pagou o ano inteiro”, disse Laura Dantas.

É o caso de Layane Gonçalves, que pagou por um ano de curso e só teve dois meses de aula. “Eu estou muito abalada, longe do Brasil, da minha família e tendo que desembolsar dinheiro para um novo curso, já que paguei adiantado por este $9.230”, lamentou a aluna.

Em Boca Raton, dezenas de estudantes foram para a porta da Inlingua fazer um protesto na porta da unidade nesta terça-feira (6). Monique Barreto, natural de São Paulo, também busca respostas. “Cheguei aos Estados Unidos com visto de estudante em agosto, tive dois meses de aula, mas paguei para um ano inteiro $7,2 mil dólares. Já não basta o visto de estudante ser caríssimo e todo o desgaste que passamos para conseguir. Agora mais esta”. Monique disse que os estudantes tiveram aulas normalmente até a quinta-feira (2). “Há duas semanas, houve um boato de que a escola estava quebrando e que iria fechar. Os estudantes começaram a ficar desesperados, aí chegou um novo gerente do Equador e falou que havia comprado a escola e que não haveria mais problemas”, relata.

Estudantes de Orlando

Sob condição de anonimato, um aluno da Inlingua na unidade Orlando (FL) escreveu ao AcheiUSA relatando que os alunos e professores sofreram um golpe. Assim como a aluna de Boca Raton, ele disse que já circulava na internet um boato de que as oito unidades da escola seriam fechadas, mas um diretor desmentiu a informação e disse que investidores compraram a escola, que de fato passava por problemas financeiros.

“Pensávamos que tudo havida sido esclarecido e resolvido quando no último domingo 04/11 recebemos um e-mail informando que a escola havia sido abruptamente fechada e que como sugestão entrássemos em contato uma escola de inglês que eles indicam para regularizarmos nossa situação imigratória. Todos fomos pegos de surpresa, muitos alunos possuem valores que chegam a $6,000 dólares para receber como reembolso. Professores ficaram desesperados porque além de perderem seu emprego, não receberam salários atrasados e tiveram que ser ajudados financeiramente pelos alunos que fizeram uma vaquinha para ajudar a comprar comida e pagar aluguel atrasado. Realmente acreditamos que todos fomos vítimas de um golpe estrategicamente orquestrado”, escreveu o estudante em nome de outros alunos prejudicados.

Visto de estudante

Os estudantes estão preocupados, já que sob o visto de estudante (F1), se eles não estiverem estudando em uma escola cadastrada junto à Imigração, eles têm 15 dias para deixar o País.

O AcheiUSA tentou contato com a escola Inlingua na Flórida, mas não obteve sucesso. A matriz da empresa fica na Suíça e a resposta que eles deram é que as escolas da Flórida são administradas por outra empresa e que eles não têm envolvimento no caso, mas ‘esperam que tudo se resolva’.