Estreia nos EUA a primeira série brasileira da Netflix

Série de ficção científica já está disponível no streaming desde o dia 25

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A protagonista brasileira Bianca Comparato
A protagonista brasileira Bianca Comparato

DA REDAÇÃO – O serviço de streaming Netflix produziu a primeira série de TV brasileira, a “3%” que estreou também nos EUA no dia 25. A trama conta a história do Brasil no futuro que será governado por um regime autoritário, com a população dividida entre os muitos que vivem na pobreza e os poucos que dispõem de recursos para viver bem.

Nessa configuração pós-apocalíptica do país, para fugir da pobreza as pessoas se candidatam a um criterioso processo de seleção para chegar à ilha de Maralto, onde, acredita-se, esteja a sociedade perfeita. Como o título sugere, só 3% dos candidatos são aprovados — os outros 97% são condenados a viver em condições precárias, desumanas.

“O que mais me atraiu nesse projeto foi poder falar sobre esse tema da meritocracia e essa mensagem que a série passa. Quando a Netflix me chamou, o roteiro ainda nem estava pronto, mas topei por isso. O Brasil é uma grande distopia, então, intelectualmente, essa história faz muito sentido. É uma visão crítica da nossa sociedade e do que já vivemos”, disse a protagonista Bianca Comparato, que aos 31 anos deixou para trás o contrato com a Globo para encarar o desafio de ser o rosto da primeira produção nacional do serviço de streaming.

O ponto central dessa distopia à brasileira criada pela Netflix é a discussão sobre meritocracia e o que isso pode fazer com as pessoas. A história já é conhecida dos fãs de ficção científica, pois trata-se de uma produção levada ao YouTube como websérie por um grupo de alunos de cinema da Universidade de São Paulo (USP) em 2011. O roteiro original foi criado por Pedro Aguilera, em 2009, que se inspirou nos clássicos Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell. A ideia era unir uma sociedade distópica com processos bem conhecidos pelos jovens, como vestibular, Enem e entrevistas de emprego. A própria produção padeceu em sistemas de seleções — chegou à Netflix depois de ser recusada por vários canais de televisão.

“Esse período entre criarmos a websérie e chegarmos à Netflix foi bom para amadurecermos a história. Mudamos algumas coisas, mas apenas pontos que eram necessários justamente pelo nosso crescimento profissional. Acrescentamos personagens ao roteiro, complexificamos as relações entre eles, introduzimos a parte de quem faz esse processo acontecer”, destacou Aguilera em conversa com jornalistas em São Paulo. (Com informações do Diário Catarinense).