EUA anunciam tarifas sobre $50 bilhões de importações da China

Os dois países estão em guerra fiscal após o anúncio de Trump

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A China negou que suas leis exijam transferências de tecnologia e ameaçou retaliar quaisquer tarifas norte-americanas
A China negou que suas leis exijam transferências de tecnologia e ameaçou retaliar quaisquer tarifas norte-americanas

DA REDAÇÃO – O presidente Donald Trump disse na terça-feira (3) que vai impor tarifas de 25% em cerca de 1.300 produtos importados da China. Os itens que serão tributados são produtos médicos, de tecnologia industrial e transporte. As medidas haviam sido anunciadas no dia 22 de março, mas os EUA ainda não tinham informado a lista de produtos tributados.

A divulgação da lista acontece no dia seguinte ao anúncio feito pela China de impor novas tarifas sobre 128 produtos americanos, de carne suína congelada e vinho a certas frutas e nozes, ampliando a disputa entre as duas maiores economias do mundo em resposta às tarifas dos EUA sobre as importações de aço e alumínio. Elas afetam um valor total de $3 bilhões em produtos.

A China notificou a Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre suas medidas contra os EUA, que são uma retaliação a taxações dos EUA ao país.

O escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) revelou uma lista de produtos chineses, em maioria vendidos a empresas e não ao consumidor final, que representam quase $50 bilhões de importações anuais.

Essa tributação pode impactar as cadeias de fornecimento de muitos fabricantes. A lista vai de produtos químicos a diodos emissores de luz, motocicletas e dispositivos odontológicos.

As tarifas visam forçar mudanças nas políticas do governo chinês que, segundo o USTR, resultam na transferência “não econômica” da propriedade intelectual dos EUA para empresas chinesas. No relatório, os EUA acusam a China de usar hackers para roubar segredos industriais de empresas americanas.

A investigação da agência autorizando as tarifas alega que a China tem sistematicamente procurado se apropriar indevidamente da propriedade intelectual dos EUA por meio de exigências de joint venture, regras injustas de licenciamento de tecnologia, compras de empresas de tecnologia dos EUA com financiamento estatal e roubo.

A China negou que suas leis exijam transferências de tecnologia e ameaçou retaliar quaisquer tarifas norte-americanas com sanções comerciais próprias, com alvos potenciais como soja, aeronaves ou equipamento pesado dos EUA.

O Ministério do Comércio da China informou que iniciou procedimento de resolução de disputas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre tarifas dos Estados Unidos sobre importações de aço e alumínio.