EUA deportaram 580 crianças nascidas no Brasil para o Haiti, denuncia organização

A Human Rights Watch condena a política de deportação dos americanos e a entende como uma ‘ameaça à vida’ diante a situação de insegurança vivida pelo país caribenho

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Haitianos cruzando o Rio Grande na fronteira entre EUA e México (Foto: Paul Ratje/AFP)
Haitianos cruzando o Rio Grande na fronteira entre EUA e México (Foto: Paul Ratje/AFP)

Os Estados Unidos deportaram 580 crianças nascidas no Brasil para o Haiti, país que enfrenta uma crise humanitária, agravada por uma crise política e institucional. A denúncia foi feita pela Human Rights Watch, organização internacional que realiza pesquisas sobre direitos humanos, com base em dados coletados pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). 

As crianças são de pais haitianos que deixaram o país caribenho anos atrás “fugindo da violência, da falta de oportunidades econômicas ou das consequências de um terremoto devastador em 2010”, destaca a organização. 

Só entre crianças, de 19 de setembro de 2021, quando a OIM começou a coletar dados detalhados, até 14 de fevereiro de 2022, os EUA devolveram cerca de 2.300 com pais haitianos, mas que nasceram em outro país, a maioria no Chile.

Expandindo para a população em geral, de 1º de janeiro de 2021 a 26 de fevereiro deste ano, 25.765 pessoas foram expulsas ou deportadas para o Haiti. Desses, os EUA deportaram 79% – 20.309 pessoas – enquanto Bahamas, Cuba, Ilhas Turks e Caicos, México devolveram o restante. 

“É inconcebível que qualquer governo envie pessoas para o Haiti considerando as a deterioração das condições de segurança no país e o maior risco à vida e à integridade física para todos”, destacou o pesquisador sênior das Américas na Human Rights Watch, César Muñoz. “Nenhum governo deve devolver as pessoas ao Haiti. E os Estados Unidos, que respondem pela grande maioria dos retornos, deveriam acabar com o uso desnecessário e ilegítimo de um regulamento de saúde pública para expulsões abusivas de haitianos.