EUA detêm 121 imigrantes em primeira operação de deportações de 2016

Operações se concentraram nos estados de Geórgia, Texas e Carolina do Norte; detidos estão em abrigos e serão enviados a seus países de origem

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DA REDAÇÃO, COM AGÊNCIAS – Um assunto tomou conta do noticiário e das redes sociais na última semana nos Estados Unidos: as batidas de agentes da imigração para deter imigrantes ilegais nos EUA, mais especificamente, nos estados da Geórgia, Carolina do Norte e Texas. No primeiro final de semana do ano, as autoridades migratórias americanas detiveram 121 adultos e crianças imigrantes indocumentados para serem deportados. De acordo com o ICE, essa é a primeira de uma série de operações, informou o secretário de Segurança Interna Jeh Johnson.

Os detidos – de um grupo que inclui famílias inteiras – e não somente criminosos, como muita gente pensa, “foram transferidos a albergues temporários do Serviço de Imigração e Alfândega, para receberem documentos de viagem e, posteriormente, serem colocados em voos de retorno a seus países de origem”, afirmou Johnson em uma nota oficial. Essas pessoas estão “em processo de repatriação”, acrescentou o secretário.

As operações da imigração americana durante o final de semana se concentraram nesses três estados, e “continuarão sendo realizadas na medida em que se considere apropriado”.

Essas operações já eram esperadas desde o Natal, com o objetivo de expulsar do país imigrantes, em sua maioria centro-americanos, que ingressaram nos Estados Unidos depois de maio passado e cujas solicitações de residência já tinham sido negadas por tribunais de imigração locais.

Segundo Johnson, estas ações “não devem ser uma surpresa para ninguém”.

Desde o último verão, “estamos transladando e repatriando imigrantes da América Central em um ritmo mais acelerado, com uma média de 14 voos semanais”, informou Jeh Johnson.

Na semana passada, ante uma consulta da AFP, o Departamento de Segurança Interna (DHS, em inglês) havia se limitado a informar que a normativa adotada pelo presidente Barack Obama em novembro de 2014 estabeleceu como prioridade a deportação de pessoas que já tenham recebido uma ordem judicial de expulsão.

No verão de 2013, os Estados Unidos viveram uma súbita onda migratória, com a chegada de milhares de crianças desacompanhadas dos adultos, principalmente da América Central, que fugiam da pobreza e da violência.

A crise chocou o país e obrigou o decreto de medidas de emergência ante um iminente desastre humanitário. O governo concentrou no DHS todas as tarefas de redesenhar sua segurança fronteiriça, fazendo baixar os números da onda migratória.

Em novembro de 2014, Obama anunciou um conjunto de decretos relacionados a medidas mais favoráveis para os imigrantes cujos filhos já tivessem uma situação regularizada, mas reforçou a política de deportação dos recém-chegados e daqueles com antecedentes criminais.
De acordo com a Univision, a administração Barack Obama já deportou mais de 2,5 milhões de imigrantes indocumentados. Desses, 41% não tinha nenhum antecedente criminal.

Repercussão
Para o brasileiro Gustavo Andrade, da ONG pró-imigrante Casa localizada em Washington DC, a atitude do governo americano pode ser comparada a uma ação do Partido Republicano. “Acho que foi um ato covarde da administração Barack Obama. Fazer isso logo depois do Natal, e desse jeito, mais parece decisão de (Donald) Trump do que de Obama”, afirma Andrade. Para o ativista, há motivos sim para o imigrante indocumentado se preocupar, já que existe uma cota de deportações anuais a serem cumpridas. “Aconselho as pessoas a participarem de alguma apresentação local na comunidade para conhecer seus direitos e saber como proteger suas famílias”, disse.

Opinião profissional
A advogada especializada em imigração Renata Castro Alves afirma que é importante que o imigrante, se abordado em casa, peça que o agente do ICE forneça uma cópia do mandado de busca e apreensão por baixo da porta. Examine o mandado, que em inglês se chama warrant. “Sempre mantenha a porta fechada. Procure por informações relativas a você, como nome, endereço, ou data de nascimento. Um mandado válido dá ao agente do ICE acesso a sua casa, portanto é recomendável que se permita a entrada mediante validação do mandado. Evite responder perguntas, e peça para falar com um advogado. Não há direito a um defensor público, portanto, sempre tenha com você o número de um advogado de sua confiança. Uma outra dica é manter uma cópia dos seus documentos importantes como passaporte, certidão de nascimento, etc. na casa de um amigo, pessoa de confiança ou até mesmo de um advogado contratado”, destaca.

Na opinIão de Renata, essas ações vão na direção contrária a que o governo americano tem apresentado em relação a imigração. “As comunidades imigrantes tinham esperança de reforma imigratória, mas com a batalha judicial sendo travada na Suprema Corte, não haverá nenhuma mudança drástica até Junho, quando se espera uma resposta da validade do DAPA, a ordem executiva que visa dar autorizações de trabalho a pessoas que cumpram com alguns requisitos como tempo nos EUA, filho(s) com cidadania, entre outros”.