Estados Unidos e Irã deram um passo importante para encerrar o conflito iniciado em fevereiro ao formalizarem um acordo preliminar que reúne 14 compromissos entre os dois governos. O documento já está em vigor e abre um período de até 60 dias de negociações para a construção de um acordo definitivo.
Entre os principais pontos está a retomada da navegação no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A movimentação na região já começou a ser normalizada, com superpetroleiros voltando a utilizar a rota após meses de restrições.
Pelo entendimento, o Irã deverá garantir a passagem de embarcações sem cobrança de taxas durante os próximos 60 dias, enquanto os dois países discutem regras permanentes para a administração da via marítima. O restabelecimento total do tráfego está previsto para ocorrer gradualmente nas próximas semanas.
O acordo também prevê a elaboração de um programa de reconstrução do Irã estimado em US$ 300 bilhões, além de negociações sobre o alívio de sanções econômicas impostas ao país. Em contrapartida, Teerã reafirmou o compromisso de não desenvolver armas nucleares e aceitou iniciar discussões sobre seu estoque de urânio enriquecido.
Apesar do avanço diplomático, alguns temas continuam sem solução. A situação no Líbano permanece como um dos principais pontos de tensão, já que Israel não participou diretamente das negociações e segue realizando operações militares contra alvos ligados ao Hezbollah.
O memorando é considerado a primeira etapa de um processo mais amplo. As próximas semanas serão decisivas para definir se a trégua atual poderá resultar em um acordo permanente entre os dois países.
