Exército atira pelo menos 80 vezes contra veículo de comerciante e sua família no RJ

Militares teriam confundido carro com de assaltantes; músico de 51 anos morreu na hora

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Evaldo era músico e trabalhava como segurança; ele morreu na hora
Evaldo era músico e trabalhava como segurança; ele morreu na hora

A Polícia Civil do Rio de Janeiro acredita que o Exército metralhou 80 vezes o veículo do músico Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, por engano na tarde de domingo (7), em Guadalupe, zona norte da cidade. Ele morreu na hora e seu sogro, que também estava no carro com outras três pessoas, foi atingido nos glúteos e segue internado. Um pedestre também foi atingido.

Os cinco passageiros do veículo estavam a caminho de um chá de bebê quando foram atingidos pelos disparos. Segundo a família, a vítima não tinha qualquer envolvimento com o crime, como foi informado pelo Exército na tarde de ontem. A Polícia Civil realizou a perícia no local em meio à revolta dos moradores que testemunharam o crime. Os envolvidos foram ouvidos em uma delegacia militar.

“Foram diversos disparos de arma de fogo efetuados, e tudo indica que os militares confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma [no carro]. Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares”, afirmou o delegado Leonardo Salgado, da divisão de homicídios.

Além do sogro, também estavam no carro a mulher, o filho de Evaldo, de sete anos, e uma afilhada do casal, de 13. Um pedestre que passava no local no momento da abordagem também foi atingido. Ainda não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde deles.

Uma amiga da família, que estava dentro do carro, contestou a versão do Exército – de que tiros foram disparados do carro atingido – e disse que os militares não fizeram nenhuma sinalização antes de abrir fogo contra o veículo.

“Eu não vi onde foi o tiro, mas eu acho que foi nas costas. Só que a gente pensou que ele tinha desmaiado no volante […] A gente saiu do carro, eu corri com a criança e ela também. A gente saiu do carro e mesmo assim eles continuaram atirando “, afirmou por telefone à TV Globo a amiga da família.