Família apela ao secretário de Estado para pedir extradição de brasileira

Daniela Torres teria escapado para o Brasil depois de acusada de ser culpada por acidente em Boca Raton que matou duas pessoas em 2008

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Familiares e amigos dos Wright protestam em frente à Procuradoria-Geral de Palm Beach, em 2013, pedindo Justiça. (Lannis Waters/Palm Beach Post)

DA REDAÇÃO, COM PALM BEACH POST — Há nove anos que Martha Wright, de 72 anos, tenta persuadir o procurador-geral do condado de Palm Beach, Dave Aronberg, a buscar uma forma de trazer à Justiça a brasileira Daniela Torres, acusada de ser responsável pelo acidente que matou sua filha, Deborah Peterson, de 44 anos, e James Andrew Carr, de 42, em 2008.

Daniela, que morava em Boca Raton na época, teria escapado para o Brasil dois anos depois de presa, acusada de dirigir embriagada (DUI) e causar o acidente que matou as duas pessoas na I-95, na altura da Palmetto Park Road, em Boca Raton. Detida um ano depois do acidente, ela pagou fiança de $50 mil e continuou em contato com as autoridades até 2012, quando sumiu, tendo presumivelmente escapado para o Brasil.

“Nove anos! Nove anos!” disse Wright em entrevista ao PBP na sexta-feira (14). “Muita coisa pode acontecer nesse período. Tudo que ela precisou foi pegar um avião para o Brasil”.

Na semana passada, o deputado federal Alcee Hastings tentou ajudar no caso e enviou uma carta ao secretário de Estado, Rex Tillerson, pedindo ao chanceler que pressione as autoridades brasileiras no sentido de extraditar Daniela para que ela seja julgada na corte de Palm Beach pelas duas acusações de DUI com mortes.

“Essa aberração jurídica perpetua-se no Brasil, que continua a sua equívoca e falida política diplomática de não extraditar seus cidadãos para os Estados Unidos”, escreveu Hastings na carta. “Justiça é devida às vítimas dos crimes de Ms. [Daniela] Torres e às suas famílias”.

Embora o Brasil tenha um acordo de extradição com os EUA desde 1964, a Constituição brasileira proíbe a extradição de cidadãos.

O caso não é o primeiro. Em 2011, o policial David Britto, nascido no Brasil e naturalizado americano, escapou de ser processado por distribuir metanfetamina voando para o Brasil. Sua mãe, que ficou nos EUA, acabou processada por tê-lo ajudado a escapar.

Uma forma de evitar isso seria a apreensão do passaporte do acusado. No caso de Daniela, não havia nenhuma suspeita de que ela sairia do país. Detida um ano depois do acidente, ela continuou colaborando com as investigações até 2012, quando não apareceu para um teste obrigatório de drogas. Os procuradores descobriram então que ela havia deixado o país.