Família de brasileiro desaparecido nas Bahamas afirma que coiote devolveu dinheiro da travessia

No total, 19 pessoas estão desparecidas desde o dia 6 de novembro; desses 12 são brasileiros

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Guarda Costeira não tem informações sobre desaparecimento do barco com os imigrantes
Guarda Costeira não tem informações sobre desaparecimento do barco com os imigrantes

DA REDAÇÃO COM AGÊNCIA BRASIL – As famílias dos 12 brasileiros desaparecidos depois de irem para Nassau, nas Bahamas, tentar a travessia ilegal para os EUA, passaram as festas de final de ano vivendo a agonia da falta de notícias desde o dia 6 de novembro.  As autoridades não têm qualquer informação sobre o desaparecimento, nem nenhum indício de naufrágio ou de prisão dos imigrantes. A princípio o número divulgado foi de 19 brasileiros, mas o último número divulgado é que 12 brasileiros estavam entre os imigrantes (dez homens e duas mulheres).

A família de um deles afirma ter recebido de volta o dinheiro pago aos coiotes que articulavam a tentativa de travessia ilegal de imigrantes para os Estados Unidos. Segundo a comerciante Marta Gonçalves, mãe de Diego Gonçalves Araújo, que está no grupo desaparecido, o coiote contratado pela família devolveu todo o dinheiro semana passada, antes ainda do assunto sair na mídia. “Para nós ele prometeu uma coisa bem diferente, que a travessia era segura e tranquila. Mas, não foi isso o que aconteceu. Meu marido pressionou tanto que ele devolveu todo o dinheiro”, conta Marta a Agência Brasil.

O filho de Marta tem 20 anos e estava fazendo curso de técnico de enfermagem. Ela conta que o jovem sonhava em fazer “um pé de meia” nos Estados Unidos. Seguindo a indicação de amigos, a família contratou um coiote de Ji-Paraná (RO) para efetivar a travessia. Araújo embarcou de Porto Velho (RO) para Brasília no dia 14 de outubro. Depois de escala no Panamá, o rapaz chegou às Bahamas no dia 15 de outubro. O último contato com a família foi no dia 5 de novembro. “Ele disse que tava ‘de boa, tudo beleza’ e que atravessaria naquela noite”, disse Marta.

A família já tinha pago todo o valor combinado, só faltava uma parte que foi parcelada correspondente a etapa final da travessia dos Estados Unidos. A família não quer revelar a quantia paga e devolvida. Marta disse à Agência Brasil que o coiote reconheceu que a travessia não deu certo e que ele também não sabe o que aconteceu. “O que ele fala é que nunca viu uma coisa dessa acontecer, sumir tantos dias assim. Ele acredita que eles estão presos em outro país da região”, conta Marta.

Ainda segundo relatos do coiote à família, o grupo de desaparecidos seria formado por 12 brasileiros, cinco pessoas da República Dominicana e dois tripulantes de Cuba (um barqueiro e seu auxiliar). Para a família, o traficante disse que os dominicanos teriam entrado em contato com a família 12 dias depois da data da travessia e disseram que eles estavam presos num lugar sem energia, esperando para serem liberados. “Parece que eles estariam num abrigo que foi danificado pelo furacão, em um lugar difícil”, afirma Marta.

A informação de que o grupo estaria preso em algum lugar, hipótese inclusive considerada por autoridades policiais americanas, deu esperança para as famílias de que o grupo poderia efetivar a travessia ou ser encontrado.

Um relato anônimo aponta que o grupo foi dividido em dois barcos e teria seguido por uma rota mais longa, alternativa à previamente planejada, para driblar a vigilância marítima, que teria sido acionada por denúncia. Mas, até o momento, não há informação oficial de registro de detenção de nenhum dos integrantes da lista do grupo desaparecido, nem vestígio do trajeto feito pela embarcação.

Lucirlei tirou fotos em Nassau antes de desaparecer
Lucirlei tirou fotos em Nassau antes de desaparecer