Flamengo e Palmeiras dominam a América do Sul

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Gabigol se tornou um mito ao anotar gols em três finais de Copa Libertadores da América (Foto: Marcelo Cortes/CRF)
Gabigol se tornou um mito ao anotar gols em três finais de Copa Libertadores da América (Foto: Marcelo Cortes/CRF)

Há dez anos, Flamengo e Palmeiras se debatiam diante de crises que pareciam intermináveis. Dono da maior torcida do Brasil, o Mengão chegou a flertar com o rebaixamento para a Série B. Já o Verdão, que detém a quarta maior torcida do país e está em empate técnico com a do São Paulo (3ª colocada), fez ainda pior. Mesmo tendo vencido a Copa do Brasil, o Alviverde paulista caiu pela segunda vez para a Série B em 2012.

O futuro mostrava tempos sombrios à frente para esses cluvbes tradicionais e de grandes torcidas. Como se levantar e voltar a serem grandes? O que poderia ser feito diante de dívidas gigantescas que impediam os dois clubes de se reerguerem? Enfim, assumir o comando de Flamengo ou de Palmeiras significava uma tarefa hercúlea. Quem seriam os loucos a aceitar esses desafios?

Como nada na vida é irreversível, ambos tiveram administrações benfazejas que recolocaram esses gigantes do futebol brasileiro e sul-americano no caminho das vitórias e, sobretudo dos títulos. Se analisarmos as últimas cinco temporadas, contatamos que o Flamengo foi duas vezes campeão brasileiro (2019 e 2020), duas vezes campeão sul-americano (2019 e 2022) e uma vez campeão da Copa do Brasil (2022). Já o Palmeiras venceu duas vezes o Brasileirão (2018 e 2022), duas vezes a Copa Libertadores da América (2020 e 2021) e uma vez a Copa do Brasil (2020). Nem estaqmos computando troféus menores omo campeonatos estaduais, Recopa e Supercopa.

Eduardo Bandeira de Mello é o principal personagem da recuperação do Flamengo (Foto: flamengo.com.br); Paulo Nobre revolucionou o Palmeiras para revitalizar o Verdão que estava em baixa (Foto: palmeirasonline.com)
Eduardo Bandeira de Mello é o principal personagem da recuperação do Flamengo (Foto: flamengo.com.br); Paulo Nobre revolucionou o Palmeiras para revitalizar o Verdão que estava em baixa (Foto: palmeirasonline.com)

A recuperação do Flamengo tem a cara de Eduardo Bandeira de Mello. Esse carioca de 69 anos, formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e por 35 anos alto funcionário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi presidente do Clube de Regatas do Flamengo nos triênios 2013–2015 e 2016–2018. Ao assumir o clube, encontrou o Mengão em situação delicada. Para reverter isso, o clube contratou a empresa de consultoria de gestão EY, que estabeleceu ciclos a cumprir. O primeiro deles foi chamado de “recuperação da credibilidade”, que incluiu profissionalizar a gestão, elevar receitas e pagar dívidas. O ciclo seguinte (2016-2018), foi de investimentos. O terceiro ciclo (2018-2020), foi intitulado “virtuoso”. Enfim, depois de superar o período atribulado, o Mais Querido começou a colher os frutos do trabalho de saneamento do clube, que perdura até hoje e promete continuar nos próximos anos, pois a administração de Rodolfo Landim vem mantendo a mesma política adotada por seu antecessor.

O advogado paulista e trader da Bolsa de Valores Paulo Nobre se tornou o mais jovem presidente do Palmeiras desde 1932, quando Dante Delmanto foi empossado com apenas 25 anos de idade. Ele assumiu o comando do clube em janeiro de 2013, quando tinha 45 anos, sucedendo Arnaldo Tirone.

Sua principal promessa de campanha era um “choque de gestão” no Palmeiras para que o tradicional clube do futebol brasileiro tivesse uma administração mais moderna e menos tumultuada do que a observada nos anos que antecederam sua eleição. Em 29 de novembro de 2014, foi reeleito após vencer o oposicionista Wlademir Pescarmona, sendo o primeiro presidente na história do Palmeiras a ser eleito de forma direta.

Durante seus dois mandatos, uma das principais metas de Nobre foi transformar o marketing palmeirense, apostando no sistema de sócio-torcedor. Para tanto, complementarmente, o novo mandatário alviverde profissionalizou o departamento de futebol do clube, com a contratação de um, como o próprio diz, “gerentão”. O nome contratado para esta função foi o de José Carlos Brunoro, que, em meados dos anos de 1990, passou com sucesso pelo Palmeiras, no auge da parceria com a multinacional italiana Parmalat, e que estava gerenciando o Audax Paulista. Dessa forma, além de poder contratar reforços de melhor calibre, Nobre estancou a pesada dívida, na casa dos R$ 293 milhões, da agremiação paulistana. Dessa maneira, entrou no século XXI, século no qual, segundo o próprio presidente, o clube ainda não havia entrado.

Ao lado de Alexandre Mattos, sucessor de Brunoro, partiu para contratações de grandes nomes, tendo em Dudu seu principal expoente da recuperação do Palmeiras. Ele se espantou com a péssima administração do clube que, segundo ele, “vendia o almoço para pagar a janta”.

Ele fou sucedido por Maurício Galiotte, seu ex-vice-presidente, com quem acabou rompendo politicamente por ter ficado ao lado de Leila Pereira (atual presidente do Palmeiras), em seu desejo de assumir o comando do clube, mesmo tendo pouco tempo como conselheira do clube. Na verdade, os dois sucessores vêm mantendo e até ampliando a estrutura criada nos tempos de Paulo Nobre e o clube continua a crescer. Ressalte-se ainda o excelente acordo fechado pelo então presidente do Palmeiras Luiz Gonzaga Belluzzo com a WTorre para transformar o decadente parque Antártica no fulgurante Allianz Parque, que rende muito dinheiro aos cofres do clube.

Os choques de gestão protagonizados por Flamengo e Palmeiras mostraram outro caminho para o sucesso: os dois passaram a investir forte em suas categorias de base. Hoje, além de dominarem o cenário futebolístico do Brasil e da América do Sul, eles se destacam por revelar excelentes jogadores em suas divisões inferiores, benefício que se traduz em fornecer jovens talentos para integrarem suas equipes e, sobretudo, como ótimos investimentos em boas vendas para o mercado externo. No Flamengo, podemos citar Vinicius Jr., João Gomes, Victor Hugo, Matheus França, Lázaro entre outros, No Palmeiras, surgiram Gabriel Jesus, Gabriel Veron, Gabriel Menino, Patrick de Paula, Artur, Luan Cândido e a geração vindoura promete ser aina mais promissora, como nomes como Endrick, Luis Guilherme, Giovanni, Fabinho, John John, Estevão, apenas para citar os principais.

Diante desse cenário, as perspectivas são excelentes para os dois gigantes do futebol sul-americano, sobretudo, para o Flamengo que vai faturar mais de R$ 1 bilhão nesta temporada e conta com a maior torcida do país. O Palmeiras, por sua vez, vem mantendo sua fórmula de sucesso e ainda teve a felicidade de encontrar no português Abel Ferreira um gestor de alta capacidade. Ele não é apenas um treinador de futebol, mas, sim, a pessoa responsável por tudo que se refere ao futebol palmeirense, ao lado de Anderson Barros, Cícero de Souza e Jo~!ao Paulo Sampaio, o corrdenador das categorias de base.

Eles mostraram como deve ser feito para obter boas receitas com o futebol e, principalmente, fazer seus torcedores sorrirem de felicidade com as conquistas de tíotulos. Cabe aos seus adversários correr atrás e se profissionalizarem para deixar de serem apenas participantes nas competições em que eles estejam presentes.

Palmeiras coroa seu campeonato com goleada sobre Fortaleza

Dudu e Endrick comemoram o gol do ponta-direita na goleada sobre o Fortaleza (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)
Dudu e Endrick comemoram o gol do ponta-direita na goleada sobre o Fortaleza (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

A noite de quarta-feira (2) foi de festa para os palmeirenses que lotaram o Allianz Parque. O público foi 29.104 torcedores, que proporcionaram R$ 3.675.069,73. Vale ressaltar que o público poderia ser ainda maior se parte do estádio não estivesse interditado por causa de uma área reservada a shows que devem ser realizados nesse final de semana.

O Palmeiras entrou em campo sabendo que já era campeão brasileiro, pois à tarde o vice-líder Internacional foi derrotado pelo América-MG e se tornou matematicamente impossível alcançar o Verdão.

Entretanto, a equipe palmeirense entrou em campo determinada a premiar seus torcedores e deu um show de bola no bom time do Fortaleza. Depois de um passe magistral de Gustavo Scarpa, Roni abriu o placar. O segundo gol veio de um lançamento magnífico de Marcos Rocha para Dudu que encobriu Fernando Miguel para fazer um golaço. No segundo tempo, bom cruzamento de Dudu que rolou para Roni completar para a rede. O trio de ataque teve Endrick como titular pela primeira vez em sua carreira. E o garoto não decepcionou. Ele se tornou o jogador mais jovem a marcar um gol como profissional no Allianz Parque, o mais jovem a se tornar campeão brasileiro e ganhou três títulos em 2022: campeão da Copinha, campeão do Sub 20 e campeão nacioonal.

Após a goleada, a torcida entrou em êxtase e comemorou como se não houvesse amanhã. Agora, restam três partidas para finalizar o campeonato e ao Verdão cabe apenas defender sua invencibilidade como visitante. O time teve apenas duas derrotas (ambas em casa) e ainda está invicto em partidas fora de casa. O Palmeiras jogará com Cuiabá (fora), América-MG (casa) e Internacional (fora). Mesmo com a derrota, o Fortaleza ainda sonha com a classificação para a Copa Libertadores da América. Para isso, precisa fazer bons jogos contra Atlético-GO (casa), Bragantino (casa) e Santos (fora).

Festa também no Maracanã

O clima de festa não se limitou ao Allianz Parque, em São Paulo. A torcida flamenguista lotou o Maracanã na noite de quarta-feira. O público de 60.369 pessoas, dos quais 57.906 pessoas pagantes proporcionaram a renda de R$ 2.358.262,00 nem ligou para a derrota de 2 a 1 para o Corinthians (gols de Du Queiroz e Yuri Alberto e de Matheus França para o Fla). Eles somente queriam celebrar a conquista da Libertadores no sábado (29) passado.

A rodada foi completada com os seguintes jogos: Ceará 0 x 1 Fluminense; Botafogo 0 x 2 Cuiabá; São Paulo 2 x 2 Atlético-MG; América-MG 1 x 0 Internacional; Athletico-PR 3 x 2 Goiás; Juventude 0 x 1 Coritiba; Atlético-GO 2 x 3 Santos; Avaí 1 x 2 Bragantino.

Classificação para a Libertadores

A 35ª rodada do Campeonato Brasileiro marcou a conquista do título pelo Palmeiras e também as classificações diretas à fase de grupos da Libertadores para Fluminense e Corinthians, assegurados no G-6, assim como Internacional e Flamengo. Com cinco das seis vagas preenchidas, o Athletico-PR despontou como grande favorito ao último lugar disponível nas chaves da principal competição sul-americana com 73,9% de chances. Atlético-MG, com 19,4%, e São Paulo, com 6,3%, ainda vão tentar roubar o lugar do Furacão nas últimas três rodadas.

Se a vaga no G-6 tem um franco favorito, as duas para as fases prévias da Libertadores podem ser o prêmio de consolação para o esforço do Galo e do Tricolor Paulista para pontuar na reta final. Enquanto os mineiros têm possibilidades de 92,5% de ficar entre os oito melhores da competição, os paulistas estão com 69,1%. Fortaleza, América-MG, Santos e Botafogo correm por fora para buscar uma vaga no G-8.

O Athletico-PR terá uma missão difícil no fim de semana diante do Internacional, no Beira-Rio. O São Paulo vai desafiar o Fluminense no Rio de Janeiro. O Atlético-MG joga só na segunda-feira e recebe o Botafogo no Mineirão, sabendo se terá chance de alcançar o G-6 já na 36ª rodada.

Permanência na Série A

Boas notícias para Santos, Bragantino e Goiás, que estão matematicamente garantidos na próxima edição da Série A do Brasileirão. O Juventude já estava rebaixado e o Avaí, derrotado pelo Braga em Santa Catarina, tem uma ínfima chance de 0,01% de permanência. O Atlético-GO foi mais um que se complicou bastante e, após perder em casa para o Peixe, tem apenas 10,2% de possibilidades de ficar na elite nacional.

A rodada foi boa para Coritiba e Cuiabá, que venceram Juventude e Botafogo, respectivamente. As chances das duas equipes de ficar na elite subiram bastante. O Coxa foi de 53,8% para 81,3%, e o Dourado subiu de 50,9% para 74,1%. Pior para o Ceará, que era favorito para se salvar com 64,3%, mas a derrota para o Fluminense e a queda no desempenho fizeram as chances do Vozão despencarem para 34,3%.

Deu Flamengo no Masculino e Palmeiras no Feminino

A América do Sul é do Flamengo pela terceira vez. O Flamengo se junta a São Paulo, Santos, Grêmio e Palmeiras, as cinco equipes brasileiras tricampeãs da Libertadores da América.

Não foi um grande jogo. E era até de certa maneira equilibrado até a expulsão de Pedro Henrique, no fim do primeiro tempo. Quatro minutos depois, aos 49, Gabriel Barbosa completou ótima jogada de Everton Ribeiro, que tabelou com Rodinei.

Com um a menos, o Furacão se jogou para frente no meio da segunda etapa e só ameaçou em finalizações de longa distâncias – duas vezes com o uruguaio Terans. Nada que pudesse impedir a festa dos flamenguistas em Guayaquil, no Equador, e em todo o Brasil.

Se na partida final, o Mengão não brilhou, jogando somente o suficente para conquistar o título, deve-se enfatizar a ótima campanha do time na Copa Libertadores de América 2022. Na Fase de Grupos, somou 16 pontos, com cinco vitórias e um empate, ficando atrás apenas do Palmeiras, que teve 100% de aproveitamento. Nas oitavas de final, superou o Tolima ao vencer por 1 a 0 na Colômbia e golear o adversário pro 7 a 1 no Rio de Janeiro. Nas quartas de final, derrotou o Corinthians por duas vezes: 2 a 0 na NeoQuímica Arena e 1 a 0 no Maracanã. Nas semifinais, goleou o Velez Sarsfield por 4 a 0 em Buenos Aires e derrotou os argentinos por 2 a 1 no Maracanã. E ainda por cima teve em Pedro seu artilheiro, com 12 gols, e o melhor jogador do campeonato. Gabigol, por sua vez, foi eleito o craque da final. Ou seja, título indiscutível e merecido.

Palmeiras conquista a Copa Libertadores Feminina

No dia anterior à grande decisão masculina, o Palmeiras conquistou sua primeira Copa Libertadores na versão feminina. E o título veio de maneira categórica, com 100% de aproveitamento, Foram três vitórias na Fase de Grupos; vitória por 2 a 1 sobre o Santiago Morning do Chile, nas quartas de final; por 1 a 0 sobre a forte equipe do Deportivo Cali da Colômbia, nas semifinais, e goleada sobre o Boca Juniors da Argentina (que havai eliminado o favorito Corinthians), na final, com gols de Ari Borges, Byanca Brasil, Poliana e Bia Zaneratto. Enfim, se não deu no masculino desta vez, as “palestrinas” trouxeram a taça para o clube da Água Branca, em são Paulo.

A meiocampista Bia Zaneratto é a craque do time palmeirense (Foto: Fabio Menotti)
A meiocampista Bia Zaneratto é a craque do time palmeirense (Foto: Fabio Menotti)