Flórida elimina prova de residência e abre caminho para vacinação de indocumentados

Pessoas maiores de 16 anos poderão se vacinar apresentando qualquer documento de identificação e indicando verbalmente que vivem ou prestam serviço no estado

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Mais de 70% da população adulta já foi vacinada em alguns estados (Foto: Flickr)
Terceira dose da vacina deve ser recomendada em breve (Foto: Flickr)

Maiores de 16 anos já podem se vacinar na Flórida sem apresentar comprovante de residência, anunciaram autoridades de saúde na quinta-feira (29). 

A medida entrou em em vigor na última sexta-feira (30) em postos de vacinação estaduais e federais, incluindo o Hard Rock Stadium em Miami Gardens, o Tree Tops Park em Davie e o centro da FEMA no campus do Miami Dade College North.

Os locais administrados pelo condado de Miami-Dade, Tropical Park, Zoo Miami e Homestead Sports Complex seguiram o exemplo.

“É uma vitória para todos que chamamos de lar a nossa comunidade. Eliminar as barreiras que impedem as pessoas de acessar a vacina deve continuar a ser uma prioridade para os governos em todos os níveis”, tuitou a prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava.

O tweet da prefeita foi em resposta a uma denúncia de que imigrantes indocumentados estavam sendo negados de receber as doses. Agora, pessoas sem documentos poderão se vacinar apresentando qualquer documento de identificação e indicando verbalmente que vivem ou prestam serviço no estado.

comunicado oficial sobre a derrubada da exigência de apresentar driver-license ou certidão de nascimento emitidos na Flórida foi feito pelo secretário de saúde do estado, dr. Scott Rivkees, na tarde de quinta-feira (29).

No documento, Rivkees rescindiu a portaria de janeiro deste ano que buscou dificultar que pessoas viajando de outros países ou estados americanos tomassem as doses que eram destinadas aos residentes do Sunshine State.

Há uma semana, o prefeito de North Miami Beach, Anthony DeFillipo, disse em transmissão ao vivo pelo Facebook com entrevistadores colombianos que sua cidade havia vacinado muitos turistas que apresentaram apenas o endereço do hotel ou do consulado de seu país. 

Seu aparente convite aos latinos para o “turismo da vacina” gerou uma repercussão negativa e forçou DeFillipo a vir a público desfazer “o mal-entendido”, segundo reportou o jornal Miami Herald.

A demanda por vacinas na Flórida caiu significativamente desde março e vários locais de vacinação foram fechados. A administração  de Palm Beach anunciou na semana passada que todos os três locais de vacinação em massa no condado serão fechados até o final de maio, e o suprimento de vacina será enviado para unidades móveis de vacinação. 

Broward Health e o Jackson Health System também informaram que irão parar de administrar as primeiras injeções até o final do mês. 

A queda na demanda, entretanto, não é decorrente de uma população vacinada rapidamente. Até o momento, cerca de 30% dos floridianos recebeu pelo menos uma injeção- isso é inferior à média nacional e fica atrás de 36 outros estados. O governador Ron DeSantis abriu a elegibilidade da vacina para todos os adultos em 5 de abril.

A organização Florida Immigration Coalition, um grupo de direitos civis que atua pelos direitos dos imigrantes, disse ao Miami Herald em um e-mail na sexta-feira que está feliz em ver a mudança e a considera “muito atrasada”.

“O coronavírus não discrimina, nem nós devemos. Mais de 700 mil moradores da Flórida trabalharam muito, por muito tempo, para serem usados ​​e abusados ​​como cidadãos de segunda classe ”, disse a coalizão em um comunicado. “Não é justo usar nosso trabalho sem proteger nossos corpos. Nossos destinos, economia e nossa saúde estão interligados”, declarou a organização.