Flórida Keys aprova uso de mosquito geneticamente modificado no combate à dengue

O experimento deve começar no próximo ano e consiste em liberar milhares de mosquitos Aedes aegypti machos geneticamente modificados nas áreas mais infestadas da região

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O mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue, febre amarela, chikungunya e zika (Foto: James Gathany - Centers for Disease Control)
O mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue, febre amarela, chikungunya e zika (Foto: James Gathany - Centers for Disease Control)

A Florida Keys Mosquito Control Board aprovou um experimento inédito nos EUA que usará uma versão geneticamente modificada do mosquito  Aedes aegypti para controlar o surto de dengue na região. Cerca de 47 pessoas foram infectadas até agora este ano, de acordo com autoridades estaduais de saúde.

A medida foi aprovada nesta terça-feira (18) durante uma videoconferência com membros do Conselho de Controle de Mosquitos da Flórida Keys. 

O projeto da empresa britânica Oxitec consiste em liberar milhares de mosquitos machos geneticamente modificados nas áreas mais infestadas e esperar que eles cruzem com as fêmeas selvagens já presentes no ambiente.

Os mosquitos machos não transmitem a doença. Os descendentes herdam os genes inseridos e morrem antes de chegarem à fase adulta, diminuindo a população do transmissor da dengue, chikungunya e zika, na região.

Resistência

O experimento foi oferecido pela primeira vez pela Oxitec às lideranças de saúde da Flórida Keys há mais de cinco anos. A proposta sempre enfrentou resistência das lideranças locais. Desta vez não foi diferente.

“Você não tem ideia do que isso fará”, disse Barry Wray, diretor da Flórida Keys Environmental Coalition ao jornal Miami Herald.

Jack Stein Grove, um biólogo marinho que vive na comunidade de Upper Keys, em Tavernier, disse que não foi comprovado que há tecnologia suficiente para evitar consequências indesejadas para o meio ambiente e a saúde. “Não há dados científicos empíricos para mostrar que este experimento é seguro”, disse ele.

John Timura, empresário e pescador local, acusou a diretoria de usar o foco do público na pandemia de COVID-19 para aprovar o programa.

“Parece que você está aproveitando uma pandemia para promover sua agenda”, disse Timura. “Você está votando para introduzir uma espécie invasora em nosso meio ambiente sem saber o resultado.”

O experimento terá início em 2021, em uma data específica ainda não fixada.