Furacão deixa Beira Rio desolado

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Leo Citadini foi o autor do primeiro gol do Furacão no Beira Rio (Foto: Pedro H. Tesch/AGIF)
Leo Citadini foi o autor do primeiro gol do Furacão no Beira Rio (Foto: Pedro H. Tesch/AGIF)

Ficha técnica da decisão da Copa do Brasil 2019
Jogo: Internacional x Athletico Paranaense 
Local: Estádio Beira Rio em Porto Alegre
Data: 18 de setembro de 2019

O Athletico PR havia ganho a primeira partida, disputada em Curitiba uma semana antes, por 1 a 0, gol e Bruno Guimarães. Os especialistas, porém, apostavam no fator casa para o Colorado vencer por dois gols de diferença e erguer a taça. Esqueceram, porém, de combinar com Tiago Nunes e seus comandados. Eles simplesmente decidiram escrever outro roteiro com um final diferente, é claro.

Com apenas um minuto de jogo, Nico Lopez – o melhor jogador do Internacional – disparou à queima roupa para a boa defesa do goleiro Santos. A pressão colorada continuou, mas de maneira desordenada e pouco ameaçando o arco do Rubro-negro paranaense. Pior ainda, tomou um gol em contra-ataque após bela jogada de Rony, que se livrou de seu marcador e tocou para Marco Rubem que, por sua vez, tocou para Leo Citadini dominar a bola e tirar do alcance de Marcelo Lomba.

O apoio dos torcedores colorados que lotaram o Beira Rio empurrou o Inter para a frente. O público total foi de 50.355 pessoas, com 44.804 pagantes e renda de R$ 2.742.150. A pressão surtiu efeito e o time da casa empatou a partida, ainda no primeiro tempo, com Nico Lopez completando para a rede do time visitante, após pegar rebote de uma bola cabeceada no travessão por Rodrigo Lindoso.

O gol deu sobrevida ao Inter, entretanto, a ausência de D’Alessandro (não escalado por causa de uma lesão muscular) tirou a criatividade do time. Afinal, sem ele, não havia alguém que fizesse lançamentos e colocasse os atacantes Nico Lopez, Wellington Silva (substituto de Dale) e Paolo Guerrero (anulado pelo jovem zagueiro Robson Bambu) em condições de marcar.

Após o intervalo, entretanto, uma substituição equivocada de Odair Hellmann destruiu o meio campo do Internacional. Ele trocou Patrick por Rafael Sobis com o objetivo de ter mais presença ofensiva. Porém, o que se viu foi um domínio predominante do meio campo do Furacão. Para piorar, ele trocou o lateral Bruno pelo meia Nonato e colocou Edenilson como lateral direito. É verdade que Bruno estava jogando mal e sendo envolvido por Rony, além de ter recebido cartão amarelo. Mas a saída de Patrick e Edenilson do meio campo acabou com o meio de campo do Inter.

Era questão de tempo a vitória do Athletico PR. Tiago Nunes ainda colocou o experiente Lucho Gonzalez em campo para administrar o resultado que daria o título. Todavia, o domínio era tão intenso que o Furacão pôde celebrar a vitória em pleno Beira Rio quebrando a invencibilidade colorada em casa. Não perdia em casa desde março. E o gol foi antológico. Marcelo Cirino, que substituiu Marco Rubem na metade do segundo tempo, fez uma jogada de craque ao fintar Edenilson e Rafael Sobis, passar por Rodrigo Lindoso e tocar para Rony definir o placar final. Dois a um para o Athletico Paranaense.

E agora?

O Athletico-PR se tornou o último clube a conquistar a Copa do Brasil. É a primeira vez que uma equipe paranaense leva o título da competição. Além disto, o Athletico-PR garante vaga na Libertadores 2020, na primeira edição da Supercopa do Brasil e ainda enche o bolso: o título valeu R$ 52 milhões. O vice ficou com R$ 21 milhões.

Agora, os dois times têm somente o Campeonato Brasileiro para disputar. Na abertura do segundo turno, o Internacional recebe a Chapecoense no Beira Rio, no domingo (22) de manhã, com obrigação de vencer. Afinal, o Colorado está em quarto lugar e precisa garantir vaga direta para a Copa Libertadores da América e enfrenta o vice-lanterna da competição. Já o Athletico PR vai ao Rio de Janeiro para enfrentar o Vasco da Gama em São Januário, também no domingo.

Para piorar a situação do Inter, houve princípio de incêndio no Beira Rio e vários incidentes causados pela torcida colorada, irritada com o resultado final. Fatos lamentáveis.

Títulos da Copa do Brasil:
Cruzeiro:  6 (1993, 1996, 2000, 2003, 2017 e 2018)
Grêmio: 5 (1989, 1994, 1997, 2001 e 2016)
Corinthians: 3 (1995, 2002 e 2009)
Palmeiras: 3 (1998, 2012 e 2015)
Flamengo: 3 (1990, 2006 e 2013)
Atlético-MG: 1 (2014)
Criciúma: 1 (1991)
Fluminense: 1 (2007)
Inter: 1 (1992)
Juventude: 1 (1999)
Paulista: 1 (2005)
Santo André: 1 (2004)
Santos: 1 (2010)
Sport: 1 (2008)
Vasco: 1 (2011)
Athletico-PR: 1 (2019)

Corinthians se complica na Sul-Americana

Corinthians tem de se superar para conseguir se classificar à final da Coa Sul-Americana (Foto: Alexandre Berwanger)
Corinthians tem de se superar para conseguir se classificar à final da Coa Sul-Americana (Foto: Alexandre Berwanger)

O Timão tem poucas chances de vencer o Brasileirão. Afinal, está dez pontos atrás do Flamengo, sete atrás do Palmeiras e cinco atrás do Santos – os líderes do campeonato. Portanto, depositava suas fichas na conquista da Copa Sul-Americana, competição internacional que nunca venceu e dá ao campeão classificação direta para a Copa Libertadores da América do próximo ano, além de 23 milhões de reais de premiação.

A noite de quarta-feira, 18 de setembro, no entanto, foi tétrica para os corintianos. O Alvinegro paulista recebeu a equipe do Independiente Del Valle do Equador no primeiro jogo da semifinal que decidirá um dos finalistas do torneio.

Quem esperava os equatorianos na retranca, se enganou. O time do técnico espanhol Miguel Ángel Ramírez dominou amplamente as ações e saiu na frente com um gol contra do zagueiro Gil. Após checagem do VAR, no entanto, o gol foi anulado. Embora esboçasse algum tipo de pressão, pouco perigo levou ao arco do goleiro Pinos. 

Para complicar, ao final da primeira etapa, o panamenho Gabriel Torres marcou um gol e foi para o intervalo com vantagem no placar. Carille promoveu duas alterações para tentar o empate. Saíram o volante Gabriel e o atacante Clayson para as entradas de Mateus Jesus e Gustavo. As alterações, no entanto, não produziram os resultados esperados. Carille ainda trocou Pedrinho pelo jovem Janderson, porém, quem jogou bola mesmo foi o time equatoriano, que voltou a marcar com Torres. 

A missão do Corinthians é inglória. Terá de jogar na próxima quarta-feira na altitude de Quito, capital do Equador. Ou seja, para se classificar, o Timão precisa derrotar o Independiente Del Valle por 2 a 0 para levar a decisão para os pênaltis. Se perder, empatar ou vencer por 1 a 0, a vaga é do time equatoriano. O Corinthians, para se classificar, precisa vencer por 3 a 2, 4 a 3 e por aí vai…

Aqui vale uma crítica ao técnico Fabio Carille. Ele alegou ter entrado com uma equipe repleta de “meninos”. É uma desculpa esfarrapada. De “meninos” apenas Pedrinho, Mateus Vital, Clayson e Janderson. Os demais estão na faixa dos 30 anos.

Antes de embarcar para Quito, porém, o Corinthians recebe o Bahia no sábado (21). A dúvida de Carille é se escala a equipe principal contra o Bahia no Brasileirão ou entra com uma equipe alternativa para tentar reverter o resultado desfavorável no Equador. Ocorre que o Bahia é um adversário direto na luta pelas vagas da Libertadores. O Timão é o quinto colocado, um ponto apenas à frente do Tricolor de Aço, que está em sétimo. Dúvida cruel para Carille resolver.

O outro finalista sai do duelo entre Colón de Santa Fe, na Argentina, e Atlético MG que se enfrentaram na noite de quinta-feira (19). Uma semana depois eles voltam a se enfrentar em Belo Horizonte. Entre os dois duelos internacionais, o Galo jogará contra o Avaí na noite de segunda-feira (23). O Alvinegro das Alterosas precisa vencer para se aproximar dos times que estão na zona da Libertadores enquanto o Avaí tenta sair da lanterna, posição incômoda em que está há várias rodadas.