Furacão Michael causa pelo menos duas mortes e segue para as Carolinas

Terceiro furacão mais destruidor a atingir os Estados Unidos na história, Michael devastou cidades na região do Panhandle na Flórida

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Passagem devastadora do furacão Michael pelo noroeste da FL (Foto: AP)
Passagem devastadora do furacão Michael pelo noroeste da FL (Foto: AP)

O terceiro furacão mais poderoso a atingir os Estados Unidos deixou um rastro de destruição por onde passou na região do Panhandle, Flórida, e agora segue para as Carolinas, recentemente atingidas pelo furacão Florence. Na tarde de quarta-feira (10), o furacão Michael tocou o solo como categoria 4, arrancou telhados, provocou severas inundações, destruiu casas e carros e matou pelo menos duas pessoas por onde passou. Os ventos passaram de 155 mph (250km/h).

Na quinta-feira (11), Michael finalmente perdeu força e caiu para a categoria de tempestade tropical. Às 5 da manhã, o olho de Michael estava a 45 milhas a oeste de Augusta, Georgia, com ventos de 50 mph e se movendo na direção da Carolina do Sul, para onde deve levar muita chuva.

O governo federal decretou estado de emergência, para liberar verbas para a reconstrução das áreas atingidas. Em um comício na Pensilvânia na quarta-feira, Trump disse que seus “pensamentos e orações” estavam com os afetados pela tragédia e prometeu viajar à Flórida “em breve”.

Ao menos 380 mil pessoas estavam sem eletricidade na região noroeste, de acordo com um boletim da agência de emergências da Flórida, SERT. Estima-se que 375 mil pessoas de mais de 20 condados receberam ordens de evacuação, obrigatória ou voluntária.

A FEMA – Federal Emergency Management Agency – tem mais de 3.000 pessoas na região, enquanto o governador Rick Scott disse que tinha ativado 3.500 guardas nacionais.

Destruição

Fotos e vídeos de Mexico Beach, uma comunidade de cerca de 1.000 habitantes, mostravam cenas de devastação absoluta. As casas pareciam flutuar no meio de ruas inundadas, algumas totalmente destruídas após terem perdido o teto.

“Minha casa em Mexico Beach está debaixo d’água”, disse Loren Beltrán, uma contadora de 38 anos, depois de ver imagens de seu bairro. “Perdi tudo de material, mas graças a Deus estamos bem”.

Ela e seu filho de três anos se refugiaram em outra casa em Panama City, onde o panorama não era, no entanto, muito mais animador.

Panama City parecia uma área de guerra depois de ter sido atingida por mais de três horas por fortes ventos e uma chuva intensa que caía horizontalmente. As ruas eram intransitáveis e havia antenas, tetos, árvores e semáforos espalhados por todos os lados.

Furacão histórico

“Infelizmente, esta é uma situação histórica, incrivelmente perigosa e de risco de vida”, disse Ken Graham, diretor do National Hurricane Center.

O general Terrence O’Shaughnessy, comandante do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte, disse que a rapidez com que a tempestade se formou e cresceu pegou os moradores desprevenidos.

“Começou como tempestade tropical, depois aumentou para categoria 1, depois 2 e quando menos esperávamos, era um furacão de categoria 4”, disse O’Shaughnessy.

“Isto se torna um fator na evacuação das populações locais”, acrescentou. “Não vimos a resposta robusta de parte da população civil que normalmente vemos em outras tempestades”.

No ano passado, uma série de furacões catastróficos atingiu o Atlântico ocidental. Os mais violentos foram o Harvey no Texas, Irma no Caribe e Flórida, e Maria, que devastou o Caribe e deixou quase 3.000 mortos no território americano de Porto Rico.

Baseado em sua pressão barométrica interna, Michael foi o terceiro furacão mais poderoso a atingir os EUA, atrás da tempestade do Labor Day de 1935 e Camille em 1969. Baseado na velocidade do vento, foi o quarto mais forte, atrás da tempestade do Labor Day (184 mph), Camille e Andrew em 1992. A temporada de furacões do Atlântico termina em 30 de novembro. (Com informações do Sunsentinel e AFP).