Ganhando menos de $5 por hora, cheerleaders desafiam a NFL

Califórnia já aprovou lei garantindo direitos básicos às cheerleaders

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Uma briga judicial ameaça mudar a apresentação dos jogos de futebol americano na NFL. As belas líderes de torcida se cansaram de ganhar pouco e entraram na Justiça americana para cobrar mudanças completas na forma como trabalham. E as contestações judiciais já começam a render frutos a elas.

O estado da Califórnia já aprovou uma lei garantindo direitos básicos às cheerleaders, como um salário mínimo, horas-extras e plano de saúde. O projeto já seguiu para a aprovação final do governador. Ainda neste ano, espera-se que Nova York aprove uma legislação parecida.

O advogado que conseguiu até agora o melhor acordo para as mulheres é quem resolveu falar para revelar os valores pagos. Sharon Vinick diz que o Oakland Raiders paga menos de $5 por hora para suas cheerleaders – são $125 por jogo ou $1250 por temporada.

Para se ter uma ideia, é menos, por exemplo que o McDonald’s paga para os seus funcionários. O salário mínimo para a função mais básica da rede de fast food é de $7 por hora. E isso em lojas menores – a média é de mais de $8 por hora na rede.

Na Justiça, Sharon Vinick conseguiu um acordo de $ 1,25 milhão. Ele foi capaz de negar as justificativas da equipe, que dizia que as cheerleader eram trabalhadores independentes e não contratadas pelo clube. A defesa foi baseada no fato de a franquia ser quem define as coreografias.

Os Raiders ainda tentaram se defender falando que o espaço dado pela equipe dava exposição e criava mais oportunidades às mulheres. A defesa foi clara. “Se você é um jovem quarterback, também ganha muita notoriedade jogando, mas nem por isso deixam de te pagar por isso”, disse Vinick.

Mas o Buffalo Bills faz ainda pior que os Raiders. Segundo o advogado Sean Cooney, os Bills sequer pagam suas cheerleaders, que ainda têm que bancar os custos do uniforme, cabelo e maquiagem.

A própria NFL e outras três franquias já foram acionadas na Justiça: New York Jets, Cincinnati Bengals e Tampa Bay Buccaneers.

“Trabalhar na NFL sempre havia sido um sonho. Não digo que me arrependo, mas houve tantos momentos bonitos quanto cruéis”, diz uma ex-cheerleader ao El País. “Eles impõem normas absurdas. Entendo, por exemplo, que queiram que você mantenha um corpo atrativo. Mas te obrigam a se pesar todos os dias de jogos e, se você passa uma grama, não te deixam sair do vestiário. Não é algo que você consiga controlar sempre. Por isso, apelidamos os vestiários de ‘Sala do choro’ porque ficamos ali, castigadas, chorando e vendo o jogo pela TV”, completa.