Governo corre contra o tempo para reunir famílias separadas na fronteira

Prazo para que crianças de até cinco anos voltem para companhia dos pais venceu na terça-feira (10)

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Política de tolerância zero separou 2 mil crianças Photo NIJC Twitter
Política de tolerância zero separou 2 mil crianças Photo NIJC Twitter

O governo Trump reuniu pouco mais do que a metade das famílias de imigrantes que estavam separadas e sob seus cuidados, de acordo com a determinação de um juiz. Graças a isto, milhares de crianças permanecem no limbo. Cinquenta e sete das 103 crianças com menos de cinco anos separadas de seus responsáveis na fronteira com o México voltaram para a companhia dos pais até esta quinta-feira (12). Outras 46 não passaram pela reunificação, porque, segundo o governo, não se encaixariam nos critérios legais para que isso ocorresse.

Em 26 de junho, o juiz federal Dana Sabraw, do Tribunal de San Diego, deu até a última terça-feira (10) para que o governo reunisse as crianças de até 5 anos aos seus representantes legais. O magistrado também deu o prazo de 26 de julho para que o mesmo acontecesse com as crianças de mais de 5 anos.

Na avaliação da administração Trump, todas as crianças que poderiam voltar para a companhia dos pais já o fizeram, de acordo com o comunicado assinado pelo secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar; o procurador-geral, Jeff Sessions, e a secretária de Segurança Nacional, Kirstjen Nielsen.

Um juiz federal, no entanto, admitiu ter ficado satisfeito com o esforço do governo para cumprir o prazo, e voltou sua atenção às milhares de famílias que ainda estão em busca da reunificação, algo que deve ocorrer até o final deste mês.

No final da terça-feira (10), quatro das 102 crianças identificadas para serem devolvidas dentro do prazo já tinham sido reunidas com seus pais, e outras 34 ainda estariam reunidas até o fim do dia, segundo representantes do governo. O total é inferior às 54 crianças que o governo federal tinha dito anteriormente que se reuniriam com seus pais dentro deste prazo.

Essas crianças tinham 5 anos ou menos e ficaram sob cuidado do governo por semanas ou meses depois de terem sido separadas de seus pais na fronteira.

Apenas menos do que a metade daquelas elegíveis estarão reunidas dentro do prazo, e elas são somente uma parcela dos milhares de jovens imigrantes que ainda estão sob custódia ae longe de seus pais, muitos dos quais são detidos e separados das famílias como resultado da política de “tolerância-zero” do governo Trump.

Com base nas informações fornecidas pela Corte, o juiz distrital federal Dana Sabraw disse acreditar que a maioria das crianças estará reunida até o final do mês. As outras crianças terão mais problemas porque, em muitos casos, as crianças não são biologicamente relacionadas com quem os trouxe. E também há casos em que os pais já foram deportados ou liberados ou ainda não foram encontrados.

Juíza nega mudança no prazo de detenção de crianças

A juíza federal Dolly Gee, do Tribunal Distrital de Los Angeles rejeitou um pedido do governo Trump para deter crianças imigrantes ilegais por longo prazo, em um revés para os esforços do presidente Donald Trump em deter famílias imigrantes mantidas sob custódia na fronteira entre Estados Unidos e México.

A juíza, rejeitou por ver como “dúbia” e “injustificável” a proposta do Departamento de Justiça para modificar uma decisão de 1997 conhecida como Acordo Flores, que afirma que crianças não podem ser mantidas sob detenção por períodos longos.

O governo fez a solicitação em junho, após uma revolta pública contra sua política de separar as crianças dos pais que entraram ilegalmente nos EUA. No mês passado um juiz de um caso diferente em San Diego ordenou que o governo reúna as famílias que separou.

Para mudar o Acordo Flores, o governo argumentou que o veredicto de San Diego implicaria em detenções de crianças por períodos longos, já que esta seria a única maneira de levá-las ao encontro dos pais e ao mesmo tempo manter os adultos presos no decorrer de seus procedimentos imigratórios. A juíza Dolly refutou o argumento.