Governo iraniano admite que derrubou por engano avião que matou 176 pessoas; manifestantes vão às ruas

Governo iraniano negou nesta segunda-feira (13) ter tentado encobrir a responsabilidade das autoridades do país no acidente com o avião ucraniano atingido "por erro" em 8 de janeiro, perto de Teerã

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Manifestações no Irã Foto Reprodução Globo News

As Forças Armadas iranianas reconheceram no sábado (11) sua responsabilidade pela tragédia do voo PS572, da Ukrainian International Airlines, que foi abatido na quarta-feira (8) após decolar do aeroporto em Teerã. Todas as 176 pessoas a bordo, entre elas iranianos e canadenses, morreram no desastre.

Na quinta e sexta-feira, a Organização de Aviação Civil Iraniana e o governo negaram a hipótese de que o avião pudesse ter sido abatido por um míssil, possibilidade levantada na noite de quarta-feira pelas autoridades canadenses.

O anúncio da responsabilidade das Forças Armadas pelo acidente provocou uma onda de indignação no Irã.  Manifestantes foram às ruas de diversas cidades do País nesta segunda-feira (13) pelo terceiro dia consecutivo para protestar contra o fato de as autoridades do país terem mentido, durante três dias, sobre a queda de um avião civil.

Vídeos mostram o batalhão de choque e os manifestantes de novo nas ruas nesta segunda-feira. Em imagens de protestos anteriores, é possível ver pessoas cantando slogans contra o líder supremo do país, poças de sangue nas ruas e disparos de tiros.

As autoridades negaram que a polícia tenha atirado. O presidente Donald Trump escreveu em uma rede social uma mensagem dizendo para o Irã não matar manifestantes.

O governo iraniano admitiu que derrubou um avião de uma companhia aérea da Ucrânia, vitimando 176 pessoas, horas depois de ter disparado mísseis contra bases dos EUA no Iraque, como retaliação pela morte de seu general mais importante, Qassem Soleimani.

Vídeos publicados em redes sociais no domingo (12) à noite mostram tiros na região da praça de Azadi, em Teerã.

Pessoas feridas foram carregadas, e encarregados de segurança foram vistos com rifles. Outras publicações mostram o batalhão de choque atacando manifestantes com cassetetes, enquanto as pessoas por perto gritam para que eles não façam isso.

Entre os vídeos que circulam nas redes sociais, há alguns que mostram manifestantes gritando “morte ao ditador”, em uma referência ao aitolá Ali Khamenei.

“Eles mataram as nossas elites e os substituíram com clérigos”, cantam as pessoas em protestos do lado de fora de uma universidade nesta segunda-feira (13), em uma aparente referência aos estudantes que voltavam para o Canadá que morreram no voo da companhia aérea ucraniana. (Com Reuters e G1)