Governo proíbe viagens educacionais e de lazer para Cuba

Secretário do Tesouro diz que quer manter dólares longe da ilha

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Segundo o governo cubano, cerca de 250 mil americanos visitaram a ilha somente no quatro primeiros meses de 2019

O departamento do Tesouro informou em nota na terça-feira (4) que vai impor medidas mais restritivas às viagens de cidadãos americanos para Cuba. Na nota, o governo diz que não vai mais permitir viagens de grupos com fins educacionais ou de lazer para a ilha. As medidas de ontem acabam com a flexibilização das relações entre os dois países promovida pelo governo Obama em 2014, quando foi reaberta a embaixada americana em Cuba e restrições que estavam em vigor há mais de 50 anos foram levantadas.

A proibição é extensiva a barcos (incluindo navios de cruzeiro) e aviões particulares. As viagens de avião continuam autorizadas para grupos universitários e pesquisas acadêmicas. Continuam de pé também as autorizações de viagem para jornalistas e homens de negócios.

“[A medida] acaba com a categoria que representa a forma mais comum para o americano médio viajar para Cuba”, disse Collin Laverty, chefe do Cuba Educational Travel, uma das maiores agências cubanas de viagem nos Estados Unidos.

O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, disse que as medidas são uma resposta a que ele chama de “papel desestabilizador” de Cuba no Ocidente, principalmente pelo apoio político ao governo de Nicolas Maduro na Venezuela.

“Cuba continua com o seu papel desestabilizador no Ocidente, dando apoio a um enclave comunista na região, alinhando-se com adversários dos EUA, como Venezuela e Nicarágua, e ainda promovendo instabilidade ao desprezar o rigor da lei, oprimindo os processos democráticos”, disse o secretário. “O governo tomou uma decisão estratégica ao reverter as medidas tomadas no passado para flexibilizar sanções e diminuir as restrições ao regime cubano. As novas medidas ajudarão a manter dólares longe das mãos dos serviços militares, de inteligência e de segurança cubanos.”

As medidas, que entram em vigor nesta quarta-feira (5), já haviam sido anunciadas pelo assessor de Segurança Nacional, John Bolton, durante um discurso em Miami para os veteranos da tentativa de invasão na Baís dos Porcos, em 1963., mas os detalhes só foram revelados publicamente ontem (4).