Greve e protestos marcam o Dia Internacional da Mulher pelo mundo

Mulheres se manifestam em diversos países por mais igualdade e por menos violência

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No Brasil, movimentos feministas de dezenas de cidades convocaram manifestações para lembrar o 8 de março (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
No Brasil, movimentos feministas de dezenas de cidades convocaram manifestações para lembrar o 8 de março (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

DA REDAÇÃO (com Agência Brasil) – Manifestações pelos direitos das mulheres e contra a violência marcaram o Dia Internacional da Mulher em todo o mundo. No Brasil, movimentos feministas de dezenas de cidades convocaram manifestações para lembrar o 8 de março. Ativistas levaram para as marchas muitos lemas, entre eles o “pela vida das mulheres”, lembrando das milhares de mortes anuais de mulheres em consequência de abortos clandestinos e do feminicídio.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de feminicídios no Brasil é a quinta maior do mundo: 4,8 para cada 100.000 mulheres. A lei que tipifica o feminicídio e aumenta de um terço até a metade a pena para homicídios classificados assim completa três anos no próximo dia 9, mas ainda enfrenta obstáculos para sua plena implementação.

Nos EUA, o McDonald’s fez uma mudança especial em seu logotipo, em todos os seus canais digitais. O famoso ‘M’ se transformou em ‘W’, de woman. “Pela primeira vez na história da nossa marca, nós viramos de ponta-cabeça os nossos arcos amarelos icônicos”, afirmou a chefe do departamento de diversidade do McDonald’s, Wendy Lewis, em entrevista à CNN.

Pelo mundo

A violência machista contra as mulheres e o abuso sexual foram o foco de uma manifestação convocada por feministas em Istambul, a maior cidade da Turquia, desafiando as proibições impostas pelo estado de emergência em vigor.

As organizações feministas convocaram protestos, nesta quinta-feira, em 14 cidades da Turquia, todos em desafio às normas do estado de emergência, em vigor desde 2016 e que proíbe todo tipo de marchas e manifestações.

A polícia compareceu ao local do protesto em Besiktas, mas não interveio e as participantes se dispersaram após a leitura de um breve manifesto.

O grupo denunciou que 409 mulheres foram assassinadas por homens durante 2017, enquanto que, apenas em fevereiro, já foram registradas 47 mortes violentas.

O manifesto lido em Besiktas denunciou que muitos assassinos recebem redução de sentença por “boa conduta” durante o julgamento e lamentou o fato de o governo fazer críticas à lei sobre a violência machista, aprovada em 2012. O governo diz que a medida “destrói a família”.

França

O jornal francês Libération foi vendido hoje 50 centavos de euros mais caro para leitores homens, com o objetivo de denunciar a diferença salarial, em iniciativa proposta pelo Dia Internacional da Mulher.

Na capa, dedicada ao tema, o jornal de esquerda afirma que “apesar da lei, a diferença salarial entre homens e mulheres continua sendo de 25% na França” e por isso “o jornal decidiu aplicar, por um dia, a mesma diferença em seu preço, que será 50 centavos mais caro para homens”.

O dinheiro arrecadado com a iniciativa será destinado ao Laboratório da Igualdade, que há anos luta pelo fim das diferenças entre gêneros.

Índia

Milhares de mulheres indianas saíram às ruas no Dia Internacional da Mulher para pedir igualdade de direitos e o fim das agressões sexuais, um problema muitas vezes silenciado no país por razões culturais ou de estigma social.

Cerca de 2 mil manifestantes formaram uma rede humana ao redor da região central de Connaught Agrada, em Nova Délhi, convocadas pelo movimento Rape Roko, uma iniciativa lançada pela Comissão para a Mulher de Delhi (DCW) em janeiro para conscientizar sobre este tipo de crimes.

Segundo números da Agência Nacional de Registro de Crimes da Índia, em 2016 ocorreram no país 38.947 estupros (2.167 deles em grupo), dos quais só em Nova Délhi foram denunciados 4.935 (1.996 coletivos).