Hormônio liberado em atividade física pode ter efeito terapêutico em casos de Covid-19

Resultados preliminares de uma pesquisa feita pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), envolvendo o hormônio irisina, liberado pelos músculos durante a atividade física, pode ter efeito positivo na busca por novos tratamentos contra a Covid-19

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O estudo brasileiro foi publicado na revista Molecular and Cellular Endocrinology (foto: flickr)
O estudo brasileiro foi publicado na revista Molecular and Cellular Endocrinology (foto: flickr)

Um estudo desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) indicou que o hormônio irisina, liberado pelos músculos durante a atividade física, pode ter efeito terapêutico em casos de Covid-19.  

A pesquisadora da Faculdade de Medicina da Unesp, Miriane de Oliveira, explicou que o resultado do estudo representa uma sinalização positiva para a busca por novos tratamentos. Entretanto, ressalta que são dados preliminares.

“É uma sugestão do potencial terapêutico da irisina para casos de Covid-19. Estamos indicando um caminho de pesquisa para comprovar ou não o efeito benéfico do hormônio em pacientes infectados” disse ao site G1.

O estudo brasileiro foi publicado na revista Molecular and Cellular Endocrinology, e descreve dados gerados que analisou a ação da irisina e de hormônios tireoidianos em adipócitos.

Por meio de técnicas de sequenciamento, os pesquisadores identificaram 14.857 genes expressos em uma linhagem de adipócitos subcutâneos. Ao tratar as células com irisina, observaram que a expressão de vários genes foi alterada.

Com a pandemia, os pesquisadores decidiram investigar os efeitos da irisina em genes relacionados à reaplicação do SARS-CoV-2, e descobriram que o hormônio altera a expressão de genes reguladores do ACE2, que codifica uma proteína à qual o vírus se liga para entrar nas células humanas.

A irisina também triplicou um gene fundamental para a proteção dos indivíduos, o TRIB3. Estudos anteriores mostraram que a diminuição desse gene ocorre principalmente nos idosos, o que pode estar relacionado à maior reaplicação do SARS-CoV-2 e ao risco aumentado dessa população à Covid-19.

O estudo não avaliou a atividade física, contudo outros estudos demonstram que pessoas ativas fisicamente apresentariam sintomas mais leves de Covid-19. Além de outros fatores, o exercício físico atua como modulador imunológico.