A presença do ICE nas operações de segurança da Copa do Mundo de 2026 entrou no radar de imigrantes, trabalhadores e visitantes nos EUA. Autoridades federais dizem que os agentes atuam contra crimes associados a grandes eventos, como ingressos falsos, produtos falsificados, tráfico humano e drogas.
O ponto sensível é o limite entre segurança pública e fiscalização migratória. Em meio ao aumento das prisões pelo ICE no país, sua presença em estádios, fan zones e cidades-sede passou a gerar dúvidas sobre como essas operações estão sendo conduzidas.
O secretário do DHS (Department of Homeland Security), Markwayne Mullin, afirmou antes do torneio que agentes estariam presentes durante a Copa. Segundo ele, o objetivo principal não seria realizar prisões em massa, mas proteger os eventos e combater atividades criminosas.
Ainda assim, Mullin não descartou a possibilidade de detenções. Ao ser questionado sobre fiscalização migratória, disse que o ICE “sempre” realiza esse tipo de trabalho, embora tenha afirmado que esse não seria o único foco da atuação durante a Copa.
Em Los Angeles, uma das cidades-sede, autoridades locais dizem ter recebido a informação de que não haveria fiscalização migratória civil em jogos e eventos da Copa. A declaração veio depois da pressão de trabalhadores e sindicatos sobre a presença de agentes federais nos arredores dos estádios.
No SoFi Stadium, funcionários de alimentação e hospitalidade aprovaram contrato com proteções relacionadas à imigração, com limites ao compartilhamento de informações pessoais e direito de paralisação, caso ações do ICE ou da Border Patrol ameacem a segurança dos trabalhadores durante partidas no local.
O tema mobilizou organizações civis. Mais de 120 grupos emitiram um alerta de viagem antes do torneio, recomendando cautela a torcedores, jornalistas, jogadores e visitantes que viajam aos EUA. O documento citava riscos como negação de entrada, detenção, deportação, revistas em aparelhos eletrônicos, vigilância e perfilamento racial.
A segurança da Copa envolve ainda outras frentes federais. Desde o início do torneio, em 11 de junho, autoridades dos EUA apreenderam mais de 600 drones em áreas restritas próximas a estádios e fan zones, segundo a Reuters.
O alerta ocorre durante forte aumento nas prisões migratórias no país. No final de junho, o ICE prendeu 10 mil pessoas em cinco dias, segundo a Associated Press. Não há indicação de que as detenções estejam ligadas aos jogos da Copa, mas a coincidência entre o avanço da fiscalização e o maior evento esportivo do mundo ampliou a insegurança entre imigrantes nos EUA.
