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ICE faz buscas na casa de deputada democrata a três semanas das eleições nos EUA

A investigação envolve documentos relacionados à entrada da família da congressista nos Estados Unidos, preenchidos por seu pai, já falecido, quando ela ainda era criança

O gabinete da parlamentar negou qualquer irregularidade e ou crimes, e classificou a ação como abuso de poder e uso das forças federais contra opositores da Casa Branca (Foto: Screenshot)
O gabinete da parlamentar negou qualquer irregularidade e ou crimes, e classificou a ação como abuso de poder e uso das forças federais contra opositores da Casa Branca (Foto: Screenshot)

Agentes federais realizaram uma operação de busca na residência da deputada democrata Ilhan Omar, em Washington, D.C., na madrugada de segunda-feira (12), a apenas 22 dias das eleições legislativas que definirão o controle do Congresso americano. A operação foi conduzida pelo Homeland Security Investigations (HSI), braço investigativo do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). Até a noite de segunda-feira (12), não havia anúncio de acusações criminais formais contra a congressista nem divulgação pública de provas de irregularidades.

Segundo a Reuters, a investigação envolve documentos relacionados à entrada da família de Omar nos Estados Unidos, preenchidos por seu pai, já falecido, quando ela ainda era criança. O Departamento de Justiça confirmou o cumprimento do mandado, mas não informou quais materiais foram apreendidos nem quais possíveis infrações estão sendo investigadas.

Nascida em Mogadíscio, capital da Somália, em 1982, Omar deixou o país durante a guerra civil e passou parte da infância em um campo de refugiados no Quênia. Chegou aos Estados Unidos na década de 1990 e, posteriormente, obteve a cidadania americana. Em 2018, tornou-se uma das primeiras mulheres muçulmanas eleitas para a Câmara dos Representantes e a primeira refugiada africana a integrar o Congresso. Desde então, consolidou-se como uma das principais críticas das políticas migratórias da administração republicana.

A ação provocou reações de lideranças democratas, que acusaram o governo do presidente Donald Trump de utilizar órgãos federais para atingir adversários políticos na reta final da campanha.

Aos 44 anos, ela disputa a reeleição pelo 5º Distrito Congressional de Minnesota, que inclui Minneapolis e municípios vizinhos. Na rede social X, a deputada afirmou estar bem e classificou a operação como uma tentativa de intimidar adversários políticos por meio das instituições federais.

“Há dez anos, Trump me ataca com mentiras infundadas e campanhas de difamação. Esta é apenas a mais recente escalada em sua campanha de intimidação política. Não serei silenciada”, declarou.

Seu gabinete também negou qualquer irregularidade e afirmou que a parlamentar não cometeu crimes. Além disso, classificou a investigação como abuso de poder e uma tentativa de utilizar as forças federais contra opositores da Casa Branca.

Presidente nega influência na ação

Trump declarou que a operação estava sob responsabilidade do Departamento de Justiça. Apesar disso, voltou a criticar a parlamentar durante um comício em Ohio. De acordo com a Associated Press, ele fez comentários depreciativos sobre Omar e a Somália, enquanto parte do público gritou palavras de ordem favoráveis à deportação da congressista, que possui cidadania americana.

Em setembro, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, afirmou que autoridades examinavam possíveis irregularidades nos registros migratórios da deputada. Tom Homan, responsável pela política de fronteiras da Casa Branca, também confirmou à Fox News a existência de uma investigação. O vice-presidente JD Vance chegou a levantar publicamente suspeitas de fraude, sem apresentar provas.

Os investigadores também teriam ampliado a análise para questões financeiras, recursos de campanha e contatos da parlamentar com um cidadão estrangeiro. Não foram divulgadas provas da ocorrência de crimes nessas áreas.

A proximidade da votação acrescentou uma controvérsia jurídica ao caso, pois o Departamento de Justiça recomenda cautela na adoção de medidas investigativas envolvendo candidatos nos 60 dias anteriores a uma eleição. A orientação não impede a realização de investigações criminais, mas estabelece parâmetros de prudência para ações que possam afetar campanhas eleitorais.

As eleições de 3 de novembro são consideradas decisivas para os dois últimos anos do mandato de Trump, com a renovação das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de aproximadamente um terço do Senado. O resultado influenciará a capacidade do presidente de aprovar projetos, negociar o orçamento federal e enfrentar investigações parlamentares.

Com informações de Reuters, Associated Press, CBS News, The Washington Post e The New York Times.

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