Agentes do ICE e da Border Patrol vêm usando celulares durante operações para reconhecimento facial e para registrar abordagens em situações de tensão. A prática, documentada em investigações recentes e relatos oficiais, tem se tornado comum especialmente em ações internas, onde o uso de câmeras corporais não é obrigatório ou ocorre de forma irregular.
Os agentes utilizam aplicativos móveis para capturar imagens de rostos e cruzar dados biométricos em tempo real, ajudando a verificar identidades e histórico migratório diretamente no local das abordagens. Os celulares também são usados para filmar interações com pessoas fiscalizadas ou detidas, funcionando, na prática, como principal registro das ações.
Mas os especialistas em direitos civis alertam que o uso de celulares, inclusive aparelhos pessoais, cria falhas de supervisão, já que esses registros não seguem necessariamente as mesmas regras de armazenamento, auditoria e acesso público exigidas para as câmeras corporais oficiais. O tema ganhou ainda mais atenção depois de relatos de uso dessa tecnologia em situações envolvendo cidadãos americanos e menores de idade.
Autoridades federais afirmam que existem diretrizes para o uso de equipamentos aprovados e que celulares não substituem formalmente as câmeras corporais. Ainda assim, documentos, processos judiciais e pedidos de esclarecimento no Congresso indicam que a fiscalização dessas regras é inconsistente e que o uso de tecnologia biométrica móvel segue em expansão.
O debate ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias e ao aumento das operações de fiscalização em diversos estados, levantando questionamentos sobre limites legais, proteção de dados e prestação de contas por parte das forças de imigração.
