Identificado o homem que jogou carro contra multidão na Virginia

Manifestação de nacionalistas brancos levou o caos às ruas de Charlottesville no sábado e deixou uma pessoa morta

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James Alex Field (20) mora em Ohio e está preso

DA REDAÇÃO, COM ASSOCIATED PRESS — Os acontecimentos de sábado na cidade de Charlottesville, na Virgínia, que acabaram deixando um morto e vários feridos depois que um motorista jogou seu carro contra uma multidão, causaram perplexidade no país.

Abaixo, um resumo dos acontecimentos:

O QUE ACONTECEU

O caos começou quando um grupo de manifestantes branco-nacionalistas — incluindo neo-nazistas, skinheads e membros da Ku Klux Klan — dirigiram-se a Charlotesville para uma passeata batizada de Unite the Right (Pela União da Direita). A manifestação foi convocada depois que a cidade anunciou a retirada de uma estátua localizada em parque local. O grupo foi confrontado por centenas de pessoas que organizaram um anti-protesto, causando tumulto e combates violentos em plena rua. Por conta disso, o governador da Virginia, Terry McAuliffe, declarou estado de emergência.

Enquanto os antiprotestantes marchavam por uma rua do centro da cidade, um Dodge Challenger prata avançou de repente sobre a multidão. O impacto arremessou pessoas no ar e matou uma mulher de 32 anos. O nome da vítima ainda não foi revelado pela polícia.

“Uma onda de gente voou para cima de mim”, descreveu Sam Becker (24) à Associated Press, enquanto aguardava a hora de ser atendido na emergência de um hospital, ferido nas pernas e nas mãos.

Houve ainda duas outras vítimas relacionadas à manifestação. Um helicóptero da polícia caiu em um bosque perto da cidade, matando seus dois ocupantes, Jay Cullen e Berke Bates.

A estátua que motivou a manifestação é do general Robert Lee, comandante do exército confederado durante a Guerra Civil americana, de 1861 a 1865. Os confederados, combatentes dos estados do sul do país, revoltaram-se contra a determinação do governo do presidente Abraham Lincoln de acabar com a escravidão nos Estados Unidos. Declararam guerra ao governo federal e foram derrotados.

QUEM É O SUSPEITO E QUAL A ACUSAÇÃO

Os agentes da lei revelaram que o motorista do Dodge é James Alex Fields, de 20 anos, que mudou-se recentemente para Ohio, mas foi criado em Kentucky.

A mãe de James, Samantha Bloom, disse à AP em entrevista em Toledo, Ohio, que sabia que o filho estava indo para uma manifestação, mas pensou que fosse um comício do presidente Trump, e não uma reunião de branco-nacionalistas.

“Pensei que tivesse alguma coisa a ver com Trump. Trump não é branco supremacista”, disse ela.

E acrescentou, “Só sabia que ele estava indo para um comício. Quer dizer, eu tento ficar de fora dessa coisa de política. Sabe, eu não me envolvo muito, ele acabou de se mudar para seu próprio canto e… eu estou cuidando do gato dele.”

James, de 20 anos, foi acusado de assassinato de segundo grau, mais duas acusações de agressão intencional e uma de fuga do local do crime. Uma audiência com o juiz está marcada para segunda-feira.

QUEM MAIS FOI PRESO

A polícia estadual da Virginia informou na noite de sábado que foram feitas mais três prisões relacionadas com o tumulto. Os presos são Troy Dunigan, 21, de Chattanooga, Tennessee preso acusado de desordem; Jacob L. Smith, 21, de Louisa, Virginia, preso acusado de agressão; e James M. O’Brien, 44, de Gainesville, Florida, preso acusado de porte escondido de arma.

OS FERIDOS

University of Virginia Health System informou pelo Twitter que 20 pessoas atropeladas deram entrada no hospital, incluindo a vítima, que não resistiu aos ferimentos. Cinco pacientes continuavam em estado crítico no domingo, quatro em estado grave, seis estáveis e quatro sem gravidade.

A REAÇÃO DAS AUTORIDADES

De seu clube de golfe em New Jersey onde passa férias, o presidente Trump disse que “Condenamos da forma mais veemente possível essa chocante demonstração de ódio, intolerância e violência em muitos lados. Muitos lados.”

A expressão “muitos lados” não soou bem para vários parlamentares e cidadãos.

“É muito importante que a nação ouça do @potus [presidente] a descrição dos acontecimentos em #Charlottesville como eles foram, um ataque de terror por #whitesupremacists [brancos supremacistas]’, escreveu na sua conta do Twitter o senador Marco Rubio, Republicano pela Flórida.

Outros não foram tão explícitos na crítica ao presidente, mas expressaram sua revolta contra a manisfestação e seus participantes.

O senador Ted Cruz, Republicano pelo Texas, condenou a violência associada à manifestação e o seu desfecho com palavras duras.

“Os nazistas, a KKK e brancos supremacistas são repulsivos e malévolos, e todos nós temos a obrigação moral falar contra as mentiras, intolerância, anti-semitismo e ódio que eles propagam”, disse Cruz pela sua conta no Facebook.