Imigrante processa cidade de San Francisco por tê-lo denunciado à imigração

San Francisco é uma das ‘cidades santuário’, onde os funcionários municipais são proibidos por lei de compartilhar informações com autoridades imigratórias

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Em vez de recuperar o carro roubado, Figueroa foi preso (Liz Hafalia, The Chronicle)

Um homem que foi entregue à imigração porque deu queixa do roubo de seu carro à polícia está processando a cidade de San Francisco e seu departamento de polícia pela violação de uma portaria municipal que qualifica San Francisco como ‘cidade santuário” para imigrantes irregulares no país.

Segundo o jornal ‘San Francisco Chronicle’, Pedro Figueroa, residente do Mission District, alega que as autoridades descumpriram uma portaria municipal quando o denunciaram ao ICE depois que ele foi a uma delegacial policial apanhar um registro do roubo de seu carro em dezembro de 2015.

A cidade de San Francisco proíbe que os funcionários municipais utilizem recursos da cidade para assistir na aplicação das leis federais imigratórias, e foi criada para permitir que todos possam obter ajuda da polícia independente de sua condição imigratória.

“Como vítima de um crime, Pedro Figueroa é exatamente o tipo de pessoa que deveria estar protegida pela portaria que regula o ‘santuário’”, disse Saira Hussain, advogada associada do Asian Americans Advancing Justice-Asian Law Caucus, que representa Figueroa legalmente. “Em vez disso, ao buscar a ajuda da polícia para encontrar seu carro roubado foi entregue ao ICE.”

Em fevereiro do ano passado, quando Figueroa deu uma entrevista coletiva depois de liberado contra pagamento de fiança, o então chefe de polícia Greg Suhr admitiu que Figueroa jamais deveria ter sido enviado para custódia da imigração. Uma investigação interna foi aberta para descobrir quem poderá ser punido.

O salvadorenho Figueroa deu queixa na polícia do seu carro que havia sido roubado em novembro de 2015. Quando a polícia o avisou que o carro tinha sido recuperado, ele voltou à delegacia para pegar a ocorrência policial com a qual retiraria o caro de um depósito.

Em vez de recuperar seu carro, Figueroa foi detido, algemado e conduzido para uma prisão em Martinez, onde ficou por dois meses. Durante esse período, as autoridades leiloaram seu carro sem avisá-lo ou à sua família, segundo o processo.

Segundo o departamento de Homeland Security, a polícia de San Francisco fez uma verificação de antecedentes de rotina e descobriu que ele possuía uma ordem de deportação emitida há mais de dez anos. Agentes do Sheriff contactaram o ICE em seguida.

Figueroa estava com uma ordem deportação emitida por não ter comparecido para prestar depoimento em um caso em que foi condenado por dirigir alcoolizado.

O processo de Figueroa visa uma compensação monetária, além de um reconhecimento formal da polícia de San Francisco, admtindo que ele foi vítima de prisão indevida. O documento servirá como prova de que Figueroa foi vítima de um crime e portanto candidato a um visto do tipo U.

O caso tem uma audiência marcada para maio, mas por causa da supelotação nas cortes imigratórias os advogados de Figueroa dizem que o processo de deportação contra ele poderá levar até dois anos.