Um imigrante cubano que vive em Phoenix, no Arizona, há mais de duas décadas, foi surpreendido com uma multa de quase US$ 2 milhões aplicada pelo ICE. A penalidade está ligada a uma ordem de deportação emitida em 2010 que, segundo o governo, não foi cumprida.
O homem, que preferiu preservar a identidade, conta que desde que recebeu a notificação não consegue dormir nem se alimentar direito diante do impacto da dívida milionária. “Não consigo dormir, não consigo comer, só fico pensando”, relatou.
De acordo com a carta enviada pela agência federal, o valor da multa foi sendo acumulado ao longo dos anos desde a emissão da ordem de remoção. Ele, no entanto, afirma que nunca soube da decisão judicial que determinava sua deportação.
Segundo ele, na época em que a ordem foi emitida, estava preso em uma unidade estadual por um caso não relacionado à imigração. Registros públicos confirmam que ele esteve detido entre 2007 e 2012. Mesmo após ser liberado, o cubano diz que não recebeu qualquer notificação sobre o processo.
“É ridículo. É um valor do qual eu nem sequer tinha conhecimento, e me parece injusto”, afirmou.
Advogados de imigração explicam que situações como essa podem ocorrer quando o imigrante não comparece a uma audiência no tribunal de imigração, mesmo que esteja sob custódia em outro sistema. Nesses casos, o juiz pode emitir uma ordem de deportação à revelia.
Segundo informações do NBC 6 South Florida, o imigrante agora tem 15 dias para recorrer da multa. Enquanto isso, busca assistência jurídica e tenta lidar com o impacto emocional da situação. “Sinto que vou adoecer, pois psicologicamente não consigo lidar com isso. É extremamente estressante”, disse.
Esse tipo de penalidade tem base na Lei de Imigração e Nacionalidade de 1952, que permite ao governo aplicar multas diárias a imigrantes que não cumprem ordens de deportação. Mesmo em casos de saída voluntária do país, a dívida pode continuar válida.
Em maio de 2025, o AcheiUSA mostrou um caso semelhante envolvendo uma imigrante hondurenha na Flórida que recebeu uma multa superior a US$ 1,8 milhão por permanecer no país após uma ordem de deportação emitida em 2005. A cobrança, calculada em US$ 500 por dia, também foi contestada pela defesa sob o argumento de que a imigrante não teria sido devidamente informada sobre os desdobramentos legais do processo de imigração.
Com informações NBC 6 South Florida.
