Imigrantes presos no sul da Flórida são levados para audiências, independente de terem covid-19

Segundo investigação, detentos infectados são levados diretamente das celas de isolamento para a sala de audiências

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Krome North Service Processing Center em Miami (foto: ICE)
Krome North Service Processing Center em Miami (foto: ICE)

Os imigrantes presos nos centros de detenções do sul da Flórida estão sendo obrigados a comparecerem a audiências judiciais com outros imigrantes, mesmo que tenham testado positivo para a covid-19.

A informação foi repassada por duas fontes ligadas ao Departamento de Justiça do estado ao jornal Miami Herald. Segundo os informantes, os detentos infectados são levados diretamente das celas de isolamento para a sala de audiências montada no Krome Detention Center, em West Miami-Dade.

Lá, eles se juntam a outros detentos que aguardam para falar com um juiz. O juiz, por sua vez, aparece em vídeo.

Durante uma videoconferência com a juíza Maria M. Lopez-Enriquez, um imigrante venezuelano contou à magistrada que havia acabado de sair da quarentena.

Lopez-Enriquez questionou à tenente que acompanhava o detento sobre o motivo de ele ter sido levado presencialmente à sala, onde dezenas de outros imigrantes faziam fila para falar com ela através do vídeo.

“A tenente estava muito nervosa e disse que estava apenas cumprindo ordens”, disse, Andrea Crumrine, uma advogada de imigração que estava presente na audiência.

Segundo a advogada a juíza pediu explicações ao U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) que, mais tarde, enviou o seguinte e-mail que a reportagem do Miami Heald teve acesso.

“Como há litígios pendentes sobre este assunto [COVID], não podemos falar especificamente sobre o processo, pois o ICE não comenta sobre litígios pendentes”. O e-mail foi assinado pelo porta-voz do ICE, Nestor Yglesias.

Dados divulgado pelo ICE na última terça-feira (22), mostram que 182 detentos testaram positivo para covid-19 no presídio do Krome, 146 em Broward e 165 em Glades.

Entretanto, os números têm sidos questionados por advogados que acompanham a situação dos detentos de perto.

Mimi Tsankov, juíza de Nova York e porta-voz regional da Associação Nacional de Juízes de Imigração – disse que o ICE não conseguiu desenvolver um protocolo consistente e transparente para informar aos juízes e as partes interessadas sobre a presença de indivíduos contaminados nos tribunais.

 “Quando uma notificação é fornecida, geralmente é muito genérica”, disse em comunicado.

 “Parece que eles não estão seguindo as diretrizes básicas do Centers for Disease Control and Prevention (CDC). É claramente uma má prática de saúde pública, uma má prática médica, e isso não deveria ser feito ”, concluiu.