Índice de mortes por armas de fogo nos EUA é o maior em quase 30 anos 

Recordes de compras de armas registrados nos últimos dois anos podem explicar este crescimento exponencial

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Fatores culturais e lobby explicam por que é difícil impor um controle de armas no País (Foto: Tony Webster, Wikimedia Commons)
Fatores culturais e lobby explicam por que é difícil impor um controle de armas no País (Foto: Tony Webster, Wikimedia Commons)

O ano de 2022 já registra, até o início de julho, 320 massacres causados por tiroteios nos Estados Unidos. E o número de tragédias por armas de fogo vêm crescendo no país. A cada ano, desde 2019, 45 mil pessoas são mortas a cada ano, uma situação inédita desde 1995.

O que mais preocupa os especialistas norte-americanos é que este crescimento no número de mortes por tiros ocorre dentro das casas, em acidentes domésticos, brigas e suicídios. A análise foi feita com base em dados compilados por entidades como a organização “Gun Violence”, que reúne informações oficiais de fontes federais sobre incidentes causados por armas de fogo em todo o País. 

Pesquisadores acreditam que este crescimento exponencial em mortes em tiroteios está diretamente relacionado aos recordes de compras de armas registrados nos últimos dois anos. A estimativa é de que 43 milhões de novas armas tenham sido adquiridas nestes últimos três anos nos Estados Unidos. A Associação das Indústrias de Armas de Fogo (NSSF) divulgou um levantamento de que só em 2021, 5.4 milhões de pessoas compraram armas pela primeira vez.  

Ainda não há uma resposta sobre os motivos que levam as pessoas a adquirir armas e nem sobre os fatores que impulsionaram o aumento da violência e mortes por tiros. Mas analistas veem uma clara relação destes números com o temor da insegurança gerado pela pandemia de Covid-19, o desgaste na confiança por parte da sociedade civil com o poder público, problemas de saúde mental e a grande quantidade de armas em circulação.

A dificuldade de impor um controle mais rigoroso de armas nos Estados Unidos vem de fatores culturais, históricos e do lobby das empresas que fabricam e comercializam armas. O argumento central dos defensores do porte de armas é a própria lei. 

A segunda emenda da Constituição dos Estados Unidos, aprovada em 1791, protege o direito da população e da polícia à legítima defesa, permitindo adquirir ou portar armas. Esse apelo cultural é amplamente usado pela indústria de armamentos, que realiza grandes campanhas publicitárias, além de sua influência junto a políticos conservadores. Em 2020, a Associação Nacional do Rifle (NRA) investiu $23 milhões em campanhas de apoio a candidatos republicanos. 

O presidente americano, Joe Biden, disse em maio, depois de um massacre que matou 19 crianças no Texas, ser hora de agir contra essa situação. “Como nação, temos que nos perguntar, quando, em nome de Deus, vamos fazer o que tem que ser feito contra o lobby das armas e fazer o que precisa ser feito?”, questionou em um pronunciamento.